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Bairro Manoel Corrêa, em Cabo Frio, é cenário
frequente
de
ações policiais — Foto: André Dias/Inter TV
|
Bairro de
Cabo Frio é cenário frequente de tiroteios e crimes que afetam diretamente
a vida dos moradores, que ficam sem escolas, postos de saúde e ônibus. Para
especialista, problema não é só de responsabilidade do poder público, mas
também de toda a sociedade.
O crescimento da criminalidade no bairro
Manoel Corrêa, em Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio, é motivo de
preocupação tanto para quem mora na região quanto para especialistas que
destacam a falta de investimentos em ações sociais e na educação.
O bairro que surgiu na década de 1970 é
cenário frequente de ações policiais e de crimes, como o desaparecimento de
vigias do Espírito Santo que foram
torturados e estão desaparecidos.
A realidade para quem vive no local é
conviver com escolas e postos de saúde fechados, ônibus que deixam de circular
dentro do bairro por falta de segurança e tiroteios constantes.
De agosto até agora, foram três policiais
militares baleados e seis pessoas mortas. Segundo a Polícia Civil, a maioria
das vítimas morreu em confrontos com a PM.
"Antes de você ter uma ação policial,
que é importante, a gente tem que ter uma intervenção humana, isso tem que
ficar marcado, o Manoel Corrêa precisa de mais investimentos em espaços
culturais, espaços esportivos, em projetos", disse o mestre em geografia
Luiz Felipe de Oliveira Gonçalves.
Para o especialista, que teve a cidade como
tema da tese de dissertação de mestrado, é preciso que a educação funcione e
que os equipamentos sociais funcionem dentro do bairro.
"E não
é só uma questão do poder público, a sociedade também precisa abraçar essa
ideia, porque é um problema social", destacou.
Segundo Luiz Felipe, o bairro, que já foi
conhecido como "Favela do Lixo" está dentro do Parque Municipal das
Dunas.
"Então o problema ali é social,
ambiental, e acaba hoje gerando também essa questão de violência", afirmou
o especialista.
Crescimento
desordenado
Luiz Felipe disse ainda que o crescimento
desordenado no bairro começou a partir de uma medida do prefeito Alair Correa,
em 1983.
"A promessa de campanha dele era
despejar para construir casas populares. A Prefeitura entra com 10 milhões de
cruzeiros e paga 30% da mão de obra e o restante, entra pelo regime de mutirão,
então as pessoas que ali viviam, começam a ajudar na construção das mais de 200
casas iniciais".
Diante disso, ele afirma que a Prefeitura não
cria um mecanismo de fiscalização e controle dessa área.
"Cabo Frio começa a ter aumento na
população, você já tem uma população em 1991 com quase 120 mil habitantes,
começaram a vender mais espaços, ocupar mais áreas de preservação
ambiental", destacou.
Projetos
sociais
Projetos sociais como o da Alessandra Cristy,
"Falar menos e fazer mais", oferecem atividades para as crianças que
vivem no Manoel Corrêa, além de distribuir sopa no local.
"A gente poderia fazer o evento dentro
da comunidade, mas o interesse foi trazer essas crianças, tirar elas de lá,
trazê-las para uma casa de festa para elas poderem ver um ambiente diferente do
que estão acostumadas a ver lá", afirmou.
Por Paulo Henrique Cardoso e Jeferson
Marques, RJ2 — Cabo Frio

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