Esquema
"esquentou" dinheiro da organização criminosa liderada por Sérgio
Cabral (MDB), segundo a denúncia. Quatro são réus em ação na Justiça Federal.
Ex-gerente
financeiro do restaurante japonês Manekineko, Wagner Tiago de Souza confirmou à
Justiça Federal que o escritório de advocacia da ex-primeira dama Adriana
Ancelmo, esposa do ex-governador do Rio Sérgio Cabral
(MDB), pagou o salário de funcionários do estabelecimento.
Segundo o
Ministério Público Federal, o esquema lavou R$ 3,1 milhões. O depoimento foi
dado ao juiz Marcelo
Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal, na tarde desta segunda-feira (5).
O
ex-funcionário afirma que os trabalhadores do restaurante recebiam, além dos
seus salários, um "bônus". Em 13 oportunidades — entre 2014 e 2016 —
quem pagou a contado bônus foi o escritório de Adriana
Ancelmo, que jamais prestou serviços para o restaurante.
A testemunha
afirma que os valores dos falsos contratos eram "idênticos" aos da
folha-bônus do Manekineko.
A denúncia
contra Cabral foi aceita em outubro de 2018. Ele, a ex-primeira dama Adriana
Ancelmo e outros dois são réus no processo.
Delação
premiada
Também são
acusados na ação penal o ex-sócio de Adriana Ancelmo, Thiago Aragão Gonçalves
Pereira e Silva, e Italo Garritano Barros, dono do restaurante.
Em delação premiada,
Italo delatou o esquema ao MPF. Ele é casado com a irmã da mulher de Thiago
Aragão.
Segundo as
investigações, o escritório usava dinheiro de propina, recebido de fornecedores
do Governo, para pagar parte do salário dos funcionários do restaurante.
Como
funcionava o esquema
O esquema
começou em meados de 2014 e foi proposto por Thiago Aragão ao concunhado, que
passava por dificuldades financeiras por causa de indenizações trabalhistas.
Segundo o MPF, o esquema funcionava assim:
- O Manekineko dividia a folha de pagamento em duas -
A e B.
- A folha A era paga regular e legalmente.
- A folha B era paga 'por fora' da carteira de
trabalho
- Escritório de Adriana Ancelmo emitia notas
idênticas ao valor da folha B
- O escritório de advocacia não prestava nenhum
serviço
- Dinheiro utilizado no pagamento vinha de operadores
de Sérgio Cabral
- Com o pagamento por fora, o restaurante não pagava
encargos trabalhistas
- O valor voltava 'limpo' para organização de Cabral,
através do escritório
Italo Barros
também disse que, sabia que tinha praticado uma fraude trabalhista, mas foi
surpreendido com as notícias de que o restaurante estaria lavando dinheiro
através do escritório de Adriana Ancelmo.
Por Bárbara Carvalho, GloboNews

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