O
autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, denunciou nesta
quarta-feira que o vice-presidente do Parlamento, Édgar Zambrano, foi detido
por agentes de inteligência em Caracas.
"Alertamos
ao povo da Venezuela e à comunidade internacional: o regime sequestrou o
primeiro-vice-presidente" da Assembleia Nacional (...) para "tentar
desintegrar o poder que representa todos os venezuelanos, mas não vão
conseguir", escreveu Guaidó no Twitter.
Zambrano é um
dos dez deputados contra os quais o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) ordenou
um julgamento por envolvimento na revolta de um grupo de militares no dia 30 de
abril passado, sob a liderança de Guaidó, reconhecido presidente interino por
mais de 50 países.
A pedido do
TSJ, a Constituinte suspendeu na terça-feira a imunidade parlamentar de
Zambrano.
O próprio
parlamentar tuitou que patrulhas do serviço de Inteligência (SEBIN) que seu
veículo foi cercado diante da sede da Ação Democrática, partido de Zambrano.
"Fomos
surpreendidos pelo SEBIN. Quando nos negamos a sair do nosso veículo,
utilizaram um reboque para nos levar de modo forçado ao Helicoide",
revelou Zambrano nas redes sociais.
Jornalistas da
AFP observaram como o veículo foi rebocado para o Helicoide, a sede do SEBIN em
Caracas.
Nesta
quarta-feira, o TSJ elevou para dez o número de deputados opositores
processados por apoiar a tentativa de revolta popular da semana passada, ao incluir
outros três legisladores.
Os
parlamentares Freddy Superlano, Sergio Vergara e Juan Andrés Mejía foram
incluídos no grupo de legisladores acusados de traição à pátria, conspiração e
rebelião civil, informou o TSJ.
Além de
Zambrano, o Supremo já havia acusado pelos mesmos crimes outros seis deputados
opositores pela tentativa de revolta militar de 30 de junho, liderada por
Guaidó, reconhecido presidente interino por cerca de 50 países.
O TSJ comunicou
a decisão sobre os três congressistas à Assembleia Constituinte, controlada
pelo chavismo, para que retire sua imunidade parlamentar, como já fez com os
outros sete parlamentares.
Além de Freddy
Superlano, Sergio Vergara e Juan Andrés Mejía, o TSJ acusa de traição à pátria
Zambrano, Luis Florido, Henry Ramos Allup, Richard Blanco, Marianela
Magallanes, Simón Calzadilla e Amerigo De Grazia.
Vários deputados apoiaram o
princípio de revolta, deflagrada diante da base aérea de La Carlota, em
Caracas.
Os confrontos ocorridos devido à
tentativa de revolta deixaram seis mortos e mais de 200 detidos, segundo o
procurador-geral, Tarek William Saab.
A deputada Mariela Magallanes se
refugiou na residência do embaixador da Itália em Caracas, enquanto seus
colegas se afastaram de atividades públicas.
Magallanes receberá "a
proteção e a hospitalidade de acordo com as convenções diplomáticas",
assinalou o chanceler italiano, Enzo Moavero Milanesi, em um comunicado que
condenou as medidas do Supremo.
"O medo não vai nos
deter", afirmou Guaidó nesta quarta-feira em entrevista à AFPTV em La
Guaira (30 km ao norte de Caracas).
"É a única estratégia que
resta a um regime sem respostas ao povo (...). Só lhes resta gerar o
medo".

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