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| Foto El Diário España |
Marcha de
ativistas pode ser o primeiro protesto não vinculado ao Estado autorizado pelo
Partido Comunista desde a revolução cubana.
Mais de 400
defensores dos animais marcharam pacificamente mais de 1,5 quilômetro por
Havana no domingo (7), gritando palavras de ordem e pedindo o fim da crueldade
contra os animais em Cuba.
Curta, a marcha
escreveu uma pequena mas significativa linha na história de Cuba. O governo
socialista permitiu explicitamente uma marcha pública não associada a qualquer
parte do abrangente Estado comunista, um movimento que os participantes e
historiadores chamam de inusitado e talvez sem precedentes desde os primeiros
anos da revolução cubana.
"Eu acho
muito inteligente que eles aprovaram a manifestação, ou melhor, marcha",
disse o cantor Silvio Rodriguez, que critica a rigidez cultural oficial.
"Isso faz a gente se sentir otimista. Agora temos que ver se a mesma coisa
acontecerá com outras causas."
Não há indícios
de que Cuba esteja caminhando em direção à liberdade de manifestação
irrestrita: o Estado ainda reprime o discurso político contrário com
mobilizações policiais rápidas e massivas, ondas de prisões e detenções
temporárias. Assim, uma marcha de grupos independentes da sociedade civil que
buscavam a ação do governo foi um acontecimento notável em um país onde, por
quase 60 anos, praticamente todos os aspectos da vida faziam parte de uma única
cadeia de comando que terminava em um líder supremo da família Castro.
"É sem
precedentes", disse Alberto Gonzalez, organizador da marcha e editor da
The Ark, uma revista on-line cubana de amantes de animais. "Isso vai
marcar um antes e um depois."
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| Foto: AFP |
A marcha pelos
direitos dos animais foi monitorada por pelo menos duas dúzias de agentes de
segurança do Estado, que observavam os participantes de perto, mas não
interferiam. Gonzalez disse que autoridades de segurança pediram que ele
mantivesse a marcha longe de ruas principais para evitar trânsito,
Com algumas
dezenas de participantes passeando com cachorros e até em carrinhos de bebê, a
marcha de domingo terminou no túmulo de Jeannette Ryder, uma americana que
lutou pelos direitos dos animais em Cuba no início do século XX.
Em um sinal de
tensões remanescentes entre o plano oficial e o não-oficial em Cuba, muitos
voluntários de grupo de animais apoiados pelo governo boicotaram a marcha de
domingo e realizarão seu próprio evento na próxima semana.
Manifestações
restritas
Desde logo após
sua fundação, o governo comunista cubano só permitiu a existência do que chama
de "sociedade civil legítima" - grupos supervisionados, patrocinados
e administrados pelo Estado e pelo Partido Comunista. Esses grupos estão sempre
presentes nas marchas e manifestações organizadas pelo Estado em feriados
públicos.
No outro
extremo do espectro estão grupos dissidentes, muitas vezes conectados a
movimentos anti-Castro em Miami, que querem derrubar o governo socialista e
reinstalar um sistema capitalista com laços estreitos com Washington. As
tentativas de protestos de rua e outras formas de organização desses grupos são
quase instantaneamente banidas pelas forças de segurança.
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| Defensora dos direitos dos animais, Grettel Montes de Oca Valdes participou de marcha histórica em Havana — Foto: AP/Ramon Espinosa |
Desde que Raul
Castro entregou a presidência ao tecnocrata Miguel Díaz-Canel, em abril de
2018, igrejas, grupos da sociedade civil e associações de amigos de mentalidade
similar têm usado a crescente disponibilidade de Internet em Cuba para
organizar várias causas e o governo tem cedido a esses grupos um pequeno grau
de liberdade para operar.
Os artistas
reagiram contra uma nova lei que regulava a expressão artística. As igrejas
evangélicas incitaram o governo a rescindir uma proposta para legalizar o
casamento gay. Milhares de pessoas se organizaram onine para obter ajuda às
vítimas de um tornado em Havana, em janeiro. O biólogo Ariel Ruiz Urquiola foi
libertado da prisão depois de uma campanha online de vários cubanos contra sua
sentença de um ano por "desrespeitar um guarda florestal" durante um
movimento mais amplo contra a extração ilegal de madeira e outras violações
ambientais no oeste de Cuba.
O ativismo
pelos direitos dos animais se tornou um campo fértil para se organizar em Cuba,
onde não há leis contra o abuso de animais. Praticamente todos os bairros têm
um ou dois residentes dedicando horas a alimentar, tratar e esterilizar cães e
gatos de rua, às vezes com a ajuda de animais. estrangeiros doando suprimentos
e fundos.
O país tem
apenas um grande grupo de resgate de animais oficialmente reconhecido, o
Aniplant, e talvez uma dúzia de outras pequenas organizações não-estatais em
Havana e outras grandes cidades. Nos últimos anos, os grupos coletaram milhares
de assinaturas pedindo uma lei de proteção aos animais, sem sucesso até o
momento.
Por Associated Press



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