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© Marcos
Brindicci Cristina Kirchner: ex-presidente é processada
por tentar
acobertar atentado contra associação argentina em
Buenos Aires
há 24 anos
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A Corte Suprema
de Justiça da Argentina manteve
a ordem de prisão preventiva contra a atual senadora Cristina Kirchner, ditada pelo
juiz federal Claudio Bonadio. A ex-presidente é acusada de acobertar parte da
investigação sobre o atentado contra a Associação Mutual Israelense Argentina
(Amia), em 1994.
A decisão,
contudo, não significa que Kirchner será presa nem impedida de se candidatar às
eleições presidenciais de outubro deste ano, em disputa contra o atual
presidente, Maurício Macri.
A instância
máxima da Justiça argentina recusou por unanimidade nesta quinta-feira, 7, os
recursos apresentados pela defesa de Kirchner e ratificou o processo contra a
ex-presidente, assim como a ordem de prisão preventiva ditada por Bonadio.
A decisão representa
um revés importante na estratégia jurídica da ex-presidente, já que agora não
restam mais recursos. O juiz Bonadio deverá agora enviar ao Senado a decisão
final da Corte Suprema, que corrobora sua ordem de prisão preventiva. O Senado
terá de decidir se suspende ou não a imunidade parlamentar de Cristina
Kirchner.
Como o
peronismo e os aliados diretos da ex-presidente mantêm maioria no legislativo
argentino, ela terá apoio suficiente para garantir sua liberdade e sua
candidatura à Casa Rosada.
O caso
Cristina
Kirchner é processada pelos crimes de abuso de autoridade e de encobrimento
agravado por tentar acobertar o atentado contra a Amia, que deixou 85 mortos e
300 feridos em Buenos Aires há 24 anos.
Em 25 de
outubro de 2006, os procuradores argentinos Alberto Nisman e Marcelo Martínez Burgos acusaram formalmente
o governo do Irã de
ter planejado o ato terrorista e a milícia do Hezbollah de realizá-lo.
A ex-presidente
e vários de seus colaboradores tinham assinado, em 2012, um acordo com o Irã
para permitir que os responsáveis fossem investigados apenas em Teerã e
julgados em um país neutro. Os termos do acordo nunca foram aplicados. A
Justiça argentina ainda hoje pede a extradição de vários líderes iranianos
considerados responsáveis pelo atentado.
Em 18 de
janeiro de 2015, quatro dias depois de ter acusado Kirchner de encobrir os
iranianos apontados como responsáveis pelo atentado, o procurador Nisman foi
encontrado morto em sua casa.
Além de
Cristina, Oscar Parrilli, ex-secretário-geral da Presidência, também é
investigado no mesmo caso. A Corte Suprema de Justiça igualmente rejeitou um
recurso da defesa desse aliado da ex-presidente nesta quinta.

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