Secretaria de Educação do Rio cria comissão para apurar denúncia de funk tocado em escola | Rio das Ostras Jornal

Secretaria de Educação do Rio cria comissão para apurar denúncia de funk tocado em escola


Em texto no Facebook, Escola Municipal Primário Vera Lúcia Chaves da Costa diz que música foi tocada durante festa de carnaval e teve anuência dos responsáveis. Vídeo tem viralizado na web.
A Secretaria Municipal de Educação afirmou nesta quinta-feira (7) que instaurou uma comissão de inquérito para apurar a denúncia, feita em um vídeo que tem viralizado na internet, de que uma escola da rede pública decidiu tocar funk com letras inapropriadas aos alunos.
"Tão logo tomamos conhecimento do ocorrido, foi instaurada uma Comissão de Inquérito que terá prazo de até 45 dias para apresentar o relatório final. As punições poderão variar de advertência até o afastamento da direção da escola", diz a nota.
No vídeo, um homem passa em frente à Escola Municipal Primário Vera Lúcia Chaves da Costa e filma, de fora do estabelecimento, uma música tocando.
Ele faz uma relação com o fato de tocar funk, mas não o Hino Nacional – em polêmica recente, o Ministério da Educação pediu para as escolas gravarem alunos durante a execução do Hino Nacional. O órgão recuou e desistiu da ideia logo depois.
A escola, em sua página no Facebook onde se comunica com os pais, fez um comunicado dizendo que a música foi tocada durante um baile de carnaval. Afirma ainda que foram tocados outros estilos de música e que selecionou criteriosamente os funks para não ofender o espaço escolar. E explica que os funks foram tocados apenas na última hora do baile.
"Tínhamos também a aprovação dos responsáveis, haja vista que em torno de 15 se encontravam nas dependências da unidade e podem confirmar que nenhuma música inapropriada foi executada."
Segundo o texto, o baile é parte do Projeto Família na Escola. Os pais foram convidados dois dias antes a se juntar aos filhos para participar do baile. Também foram convidados a participar de oficinas em que foram confeccionadas camisas customizadas, máscaras de carnaval e massinha de modelar.
Lidiane Ribeiro, de 26 anos, é mãe de uma aluna do 4º ano da Escola Municipal Primário Vera Lucia Chaves da Costa e estava presente no baile de carnaval promovido pelo colégio. Ela reitera o que diz a nota de esclarecimento da instituição: que nenhuma versão "proibidona" dos funks foi tocada na festa.
"Sendo bem sincera, o funk faz, sim, parte do cotidiano das nossas crianças. Não entendi o porquê disso tudo, não houve nada de ofensivo! Nenhum responsável reclamou durante a festa e somente versões leves, sem palavrões, foram tocadas."
Lidiane explica que a pessoa que gravou o vídeo não faz parte da comunidade escolar. "Nenhum pai reclamou. Foi uma pessoa que estava passando por lá e resolveu filmar."
Ao contrário do que diz o homem na filmagem, a escola reforça que "o Hino Nacional Brasileiro é executado semanalmente, às quintas-feiras, na hora da entrada".
"Temos profundo respeito pelos Símbolos Nacionais e os valores cívicos. Nossos alunos cantam lindamente e em forma o nosso Hino."
A Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro diz que, de fato, existe uma lei municipal, de nº 1.565, de 27 de março de 90, que determina o canto obrigatório nas escolas públicas do município do Rio de Janeiro, do Hino Nacional Brasileiro e do Hino à Bandeira. "Portanto, como se pode ver, o incentivo ao canto do Hino Nacional é uma prática que existe há cerca de 29 anos nas escolas municipais do Rio de Janeiro."
Lidiane Ribeiro confirma que a instituição executa o hino semanalmente, às quintas-feiras, no horário da entrada. "Muitos pais ficam parados lá fora durante a execução do hino e depois vão embora", conta.
Ela diz que é a favor da prática. "Super apoio a execução do Hino Nacional nas escolas, na minha época eu também tinha que cantar e não sei por que tanta repercussão. É bom que as crianças aprendam."
No vídeo que circula nas redes sociais, o rapaz também diz: "Aí vem o senhor Marcelo Freixo dizer que não pode cantar o Hino Nacional". Procurado, o deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ) diz que, na verdade, fez uma crítica à ordem do ministro da Educação de filmar as crianças cantando o hino, e não tem nada contra o hino em si.
"Não há qualquer problema que estudantes aprendam e cantem o Hino Nacional. Isso inclusive já é previsto pela lei. Nossa crítica, que motivou ação na Procuradoria Geral da República e na Justiça Federal, se deve ao uso de um órgão público e seus servidores, no caso o Ministério da Educação, para fazer propaganda político-partidária através da leitura de carta que levava slogan de campanha de Jair Bolsonaro, além de coagir educadores e estudantes, que seriam filmados sem autorização da família. Ao fazer isso, o ministro cometeu crime de responsabilidade e improbidade administrativa", diz o deputado, em nota.
Por Roney Domingos e Hellen Guimarães, G1 e O Globo

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