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© Carlos
Eduardo Ramirez Homens mascarados em San Antonio
del Táchira, na Venezuela: grupos paralelos
aterrorizaram milhares
de pessoas
que tentavam levar ajuda humanitária via pela Colômbia
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Em San Antonio
del Táchira, na Venezuela,
os “colectivos” – gangues leais ao autocrático presidente Nicolás Maduro – encabeçaram o
ataque contra aqueles que desafiaram o regime no último fim de semana. Eles
aterrorizaram milhares de pessoas que tentavam levar ajuda humanitária para o
faminto país pela Colômbia, atacando-as brutalmente a um quarteirão da ponte
internacional onde alimentos e remédios estavam à espera.
“Estávamos
completamente impotentes”, disse Ismael Oropeza, 39, que fez parte das
multidões que marcharam pela avenida principal na manhã de sábado. Enquanto os
manifestantes enfrentavam os guardas nacionais venezuelanos, homens com o rosto
coberto por máscaras de esqui e bandanas surgiram de trás de uma fileira de
soldados e abriram fogo, disse Oropeza. “Se seu governo atira em você como a um
cachorro na rua, a quem você pode recorrer?”
Enquanto Maduro
faz manobras para se defender das tentativas do líder da Assembleia
Nacional, Juan Guaidó, de
derrubá-lo, mobilizar os colectivos é uma aposta arriscada. A última vez que
ele recorreu às gangues em grande escala foi durante os meses de protestos em
2017, confrontos brutais que consolidaram a imagem autocrática do regime.
Agora, com a atenção do mundo voltada para Maduro, a selvageria desses grupos
está sendo condenada e parece impulsionar os esforços internacionais para
derrocá-lo.
“Chegou o dia
do juízo final para Maduro e os colectivos”, disse Alejandro Velasco, professor
associado de estudos latino-americanos da Universidade de Nova York. “Eles não
estão pensando em tentar vencer uma guerra de ótica. Eles estão tentando vencer
uma guerra, ponto final.”
No último
sábado, a violência assolou as fronteiras da Venezuela, enquanto Guaidó e seus
apoiadores – que incluem os EUA e outros 50 países – reuniam suprimentos em
pontos de entrada na Colômbia e no Brasil. A ajuda destinava-se a sustentar um
país rico em petróleo que sofre com anos de corrupção e má administração.
Também tinha o objetivo de demonstrar a liderança de Guaidó, 35, que alega ser
o líder legítimo do país de acordo com a constituição, porque Maduro roubou a
eleição do ano passado.
Maduro assegura
que os comboios eram um pretexto para uma invasão estrangeira, e suas forças
frustraram essa tentativa com gás lacrimogêneo, balas de borracha e, em muitos
casos, balas de verdade. Pelo menos 200 pessoas ficaram feridas e, na remota
cidade de Santa Elena de Uairén, pelo menos quatro morreram enquanto tropas e
colectivos corriam soltos, segundo testemunhas oculares.
O senador
norte-americano Marco Rubio, da Flórida, e o secretário de Estado dos EUA, Mike
Pompeo, condenaram o uso de gangues para reprimir civis. “Eles em breve vão
perceber o quanto se excederam”, tuitou o senador republicano, que ajudou a
moldar a política dos EUA. Michelle Bachelet, alta comissária das Nações Unidas
para os direitos humanos e ex-presidente chilena, condenou as “cenas
vergonhosas”.
Andrew
Rosati, da Bloomberg

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