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O presidente da Assembleia Nacional e presidente
interino da Venezuela, Juan Guaidó, preside
sessão em Caracas,
na segunda-feira (11) — Foto: AP Foto/Eduardo
Verdugo
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Maduro diz
que colapso elétrico do país é fruto de sabotagem.
O procurador-geral da Venezuela, Tareq Saab,
informou nesta terça-feira (12) que abriu uma investigação contra o presidente
da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, para apurar sua responsabilidade no apagão
que afeta o país desde quinta-feira (7) da semana passada.
"O Ministério Público iniciou uma nova
investigação contra o cidadão Juan Gerardo Guaidó Márquez por seu suposto
envolvimento na sabotagem realizada contra o Sistema Elétrico Nacional
(SEN)", disse Saab no Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela, em
Caracas.
O ministro de Comunicação e Informação do
governo, Jorge Rodriguez, afirmou na tarde desta terça que o serviço de energia
elétrica tinha sido restaurado em quase todo o país. Além disso, falou que
durante a madrugada os sistemas de distribuição de água, que foram afetados
pela falta de energia, começaram a ser ativados e que ao longo do dia o
fornecimento seria restaurado, de acordo com o jornal local El Universal.
Causas do
apagão
Ainda não está claro o motivo real da falta
de energia. As agências do setor elétrico da Venezuela, do governo Maduro,
falam em "sabotagem criminosa e brutal contra o sistema de geração
elétrica" na usina de Guri, no estado de Bolívar, a mais importante do
país e uma das principais da América Latina.
Em pronunciamento feito no sábado, Maduro
disse que um ataque cibernético impediu a restituição da energia. "Às 19h
da quinta-feira se encaminhava o processo de recuperação, quando recebemos um
ataque cibernético internacional contra o cérebro de nossa empresa de
eletricidade que automaticamente derrubou todo o processo de reconexão",
disse.
Especialistas acusam o governo de Maduro de
não ter investido na manutenção da infraestrutura por conta da crise econômica.
O autoproclamado presidente interino e líder da oposição Juan Guaidó disse que
o apagão é decorrente de corrupção e falta de manutenção.
No Twitter, Guaidó questionou a versão do
governo de que o blecaute é fruto de sabotagem externa. "A única sabotagem
é a do usurpador a todo o povo da Venezuela", publicou.
Guaidó pediu nesta segunda (11) à Assembleia
Nacional, de maioria oposicionista, que decretasse "estado de
emergência" nacional. O texto do pedido prevê que as forças armadas
colaborem no restabelecimento da energia elétrica e que a população tenha seu
direito de protestar garantido.
O autoproclamado presidente interino convocou
um protesto contra Maduro para esta terça, no quinto dia do apagão que deixou
quase todo o país no escuro e afeta a população pela falta de água e comida.
O oposicionista convocou as manifestações
para a tarde, para coincidirem com o horário em que começou na quinta-feira,
pouco antes das 17h, o maior corte de energia elétrica na história do país de
30 milhões de habitantes.
"Todos
às ruas para gritar com brio que morra a opressão", escreveu no Twitter o
jovem presidente do Parlamento, reconhecido como presidente interino da
Venezuela por mais de 50 países, liderados pelos Estados Unidos.
Efeitos do
apagão
A emergência, que afeta Caracas e 22 dos 23
estados do país, mantém diversos serviços em funcionamento intermitente, mas
algumas áreas do interior estão sem luz desde quinta-feira.
O apagão provocou o colapso do fornecimento
de água, que já era deficitário, porque as bombas das cisternas precisam de
energia elétrica para funcionar. Muitos venezuelanos tentam obter água em
supermercados ou fontes naturais.
Em Caracas, em uma medida desesperada, um
grupo de moradores desceu ao canal do poluído rio Guaire para coletar água.
"Temos a garganta seca", gritaram aos militares que os expulsaram do
local.
Alguns têm que pagar em dólares ou esperar os
caminhões-pipa enviados pelo governo de Maduro a bairros populares ou
contratados por prefeituras comandadas pela oposição.
Diante da crise, o governo ampliou para esta
terça-feira a suspensão da jornada de trabalho e das aulas, medida anunciada na
quinta-feira.
Em alguns lugares, água e alimentos estão
sendo cobrados em dólares pela escassez de cédulas, em um país onde até as
pequenas compras devem ser pagas em máquinas de cartão, que estão fora de
serviço pela falta de energia.
Maduro anunciou a distribuição de comida e
assistência a hospitais, onde segundo Guaidó quase 20 pessoas morreram. A ONG
Codevida afirma que 15 pacientes renais faleceram por falta de diálise. O
governo afirma que não há vítimas.
Saques foram registrados em algumas cidades
do país.
Após a saída de 2,7 milhões de venezuelanos
desde 2015, segundo a ONU, muitos dos que estão fora estão angustiados com as
dificuldades de comunicação.
Uma análise do Eurasia Group destaca que o
agravamento da crise aprofundará o descontentamento popular com Maduro, mas
Guaidó "enfrenta desafios para aproveitar o mal-estar porque seus
seguidores poderiam desmobilizar-se, frustrados por não conseguirem forçar uma
mudança rápida".
Por G1

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