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Pessoas usam
celulares durante apagão em Caracas,
no dia 7 de
março — Foto: Matias Delacroix/AFP
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Blecaute
começou na quinta-feira (7). Regime de Nicolás Maduro fala em sabotagem, e
oposição culpa o sucateamento da rede elétrica do país.
Os estados
venezuelanos de Mérida, Lara e Zulia estão há mais de 80 horas sem energia
elétrica. Os primeiros registros de interrupção do fornecimento de energia
foram na cidade de Caracas, no estado de Miranda, na quinta-feira (7). Algumas
regiões chegaram a ter o fornecimento restabelecido, mas a situação é instável
e parte delas ficou sem energia de novo.
De acordo com
um membro do comitê executivo da Federação dos Trabalhadores da Indústria
Elétrica da Venezuela, Alexis Rodríguez, esses três estados, Mérida, Lara e
Zulia, serão os últimos a receber energia elétrica, informou o jornal local
"El Nacional".
Na Região
Metropolitana de Caracas, pelo menos 21 zonas tiveram o fornecimento de energia
restabelecido nesta segunda, segundo o jornal "El Universal". Mas
outras 10 zonas da região, aproximadamente, seguem sem luz.
Blecaute na
Venezuela
Os primeiros
relatos do apagão chegaram na tarde de quinta-feira (7). Segundo o
"El Nacional", o blecaute afetou todos os estados da Venezuela.
Ainda não está
claro o porquê da falta de energia – as agências do setor elétrico da
Venezuela, do governo de Nicolás Maduro, falam em "sabotagem
criminosa e brutal contra o sistema de geração elétrica" na usina de Guri,
no estado de Bolívar.
Em um
pronunciamento feito no sábado, Maduro disse que um ataque cibernético impediu
a restituição da energia. "Às 19h do mesmo dia se encaminhava o processo
de recuperação quando recebemos um ataque cibernético internacional contra o
cérebro de nossa empresa de eletricidade que automaticamente derrubou todo o
processo de reconexão", disse.
Ele responsabilizou os Estados Unidos pela
"guerra elétrica" que estaria por trás do blecaute. "Foi
utilizada uma tecnologia de alto nível que só os Estados Unidos possuem",
afirmou.
A oposição
culpa o sucateamento da rede elétrica do país na gestão de Maduro. Durante ato
contra o regime de Maduro realizado no sábado, o autoproclamado presidente e
líder da oposição Juan Guaidó disse
que o apagão é decorrente de corrupção e falta de manutenção.
No Twitter,
Guaidó questionou a versão do governo de que o blecaute é fruto de sabotagem
externa. "A única sabotagem é a do usurpador a todo o povo da
Venezuela", publicou.
Guaidó pediu
nesta segunda (11) à Assembleia Nacional, de maioria oposicionista, que decrete
"estado de emergência" nacional. O texto do pedido prevê que as
forças armadas colaborem no restabelecimento da energia elétrica e que a
população tenha seu direito de protestar garantido.
Cadáveres do
IML entram em putrefação e caos nos hospitais
Nos últimos
dias, pelas redes sociais, venezuelanos relataram comércio fechado, semáforos
sem funcionar e caos no transporte público.
Nos hospitais,
a situação ficou dramática. Os estabelecimentos equipados com geradores de
energia passaram a atender apenas os casos urgentes e pacientes morreram porque
os equipamentos respiratórios pararam de funcionar.
De acordo com
um balanço da organização não governamental Médicos Por La Salud, 17 pacientes
tinham morrido até sábado.
No Instituto
Médico Legal da capital, onde as famílias aguardam a identificação dos mortos,
as câmaras frias pararam de funcionar e os cadáveres entraram em putrefação.
No aeroporto
internacional de Maiquetia, o principal de Caracas, centenas de voos foram
afetados, e passageiros ficaram sem banheiro ou restaurantes à disposição.
A retirada de
dinheiro nos caixas eletrônicos também foi suspensa.
Roraima
afetada
O apagão também
atingiu o sistema elétrico do estado brasileiro de Roraima, que desde
sexta-feira é mantido 100% por termelétricas. O problema teve início ainda na
quinta-feira, após identificação de dois desligamentos na interligação
Venezuela-Brasil.
O estado é o
único da federação que não faz parte do Sistema Interligado Nacional (SIN). A
diferença o faz dependente de outras fontes distribuidoras de energia, no caso,
a Venezuela, através do Linhão de Guri, e também de usinas termelétricas.
Por G1

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