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Mulheres trabalham
na linha de produção da fábrica de armamentos
Brewery Road Works, em 1916, na
Inglaterra — Foto: Reuters/Archive
of Modern Conflict London
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Data é
celebrada oficialmente desde 1975, mas sua origem remonta do início do século
20, quando diversos protestos de mulheres ecoaram pelos Estados Unidos e Europa
reivindicando melhores condições de trabalho e igualdade de direitos.
Para muitos, o
8 de Março é apenas um dia para dar flores e fazer homenagens às mulheres. Mas
diferentemente de diversas outras datas comemorativas, esta não foi criada pelo
comércio.
Oficializado
pela Organização das Nações Unidas em 1975, o chamado Dia Internacional da
Mulher era celebrado muito tempo antes, desde o início do século 20. E se hoje
a data é lembrada como um pedido de igualdade de gênero e com protestos ao
redor do mundo, no passado nasceu principalmente de uma raiz trabalhista.
Foram as
mulheres das fábricas nos Estados Unidos e em alguns países da Europa que
começaram uma campanha dentro do movimento socialista para reivindicar seus
direitos - as condições de trabalho delas eram ainda piores do que as dos
homens à época.
A origem da
data escolhida para celebrar as mulheres tem algumas explicações históricas. No
Brasil, é muito comum relacioná-la ao incêndio ocorrido em 25 de março de 1911
na Companhia de Blusas Triangle, quando 146 trabalhadores morreram, sendo 125
mulheres e 21 homens (a maioria judeus).
No entanto, há
registros anteriores a essa data que trazem referências à reivindicação de
mulheres para que houvesse um momento dedicado às suas causas dentro do
movimento de trabalhadores.
As origens
Se fosse
possível fazer uma linha do tempo dos primeiros "dias das mulheres"
que surgiram no mundo, ela começaria possivelmente com a grande passeata das
mulheres em 26 de fevereiro de 1909, em Nova York.
Naquele dia,
cerca de 15 mil mulheres marcharam nas ruas da cidade por melhores condições de
trabalho - na época, as jornadas para elas poderiam chegar a 16h por dia, seis
dias por semana e, não raro, incluíam também os domingos. Ali teria sido
celebrado pela primeira vez o "Dia Nacional da Mulher".
Enquanto isso,
na Europa também crescia o movimento nas fábricas. Em agosto de 1910, a alemã
Clara Zetkin propôs em reunião da Segunda Conferência Internacional das
Mulheres Socialistas a criação de uma jornada de manifestações.
"Não era
uma questão de data específica. Ela fez declarações na Internacional Socialista
com uma proposta para que houvesse um momento do movimento sindical e
socialista dedicado à questão das mulheres", explicou à BBC Brasil a
socióloga Eva Blay, uma das pioneiras nos estudos sobre os direitos das
mulheres no país.
"A
situação da mulher era muito diferente e pior do que a dos homens nas questões
trabalhistas daquela época", disse ela, que é coordenadora da USP
Mulheres.
A proposta de
Zetkin, segundo os registros que se têm hoje, propunha uma jornada anual de
manifestações das mulheres pela igualdade de direitos, sem exatamente
determinar uma data. O primeiro dia oficial da mulher seria celebrado, então,
em 19 de março de 1911.
Em 1917, houve
um marco ainda mais forte daquele que viria a ser o 8 de Março. Naquele dia, um
grupo de operárias saiu às ruas para se manifestar contra a fome e a Primeira
Guerra Mundial, movimento que seria o pontapé inicial da Revolução Russa.
O protesto
aconteceu em 23 de fevereiro pelo antigo calendário russo - 8 de março no
calendário gregoriano, que os soviéticos adotariam em 1918 e é utilizado pela
maioria dos países do mundo hoje.
Após a
revolução bolchevique, a data foi oficializada entre os soviéticos como
celebração da "mulher heroica e trabalhadora".
Oficialização
O chamado
"Dia Internacional da Mulher" só foi oficializado em 1975, ano que a
ONU intitulou de "Ano Internacional da Mulher" para lembrar suas
conquistas políticas e sociais.
"Esse
dia tem uma importância histórica porque levantou um problema que não foi
resolvido até hoje. A desigualdade de gênero permanece até hoje. As condições
de trabalho ainda são piores para as mulheres", pontuou Eva Blay.
"Já faz
mais de cem anos que isso foi levantado e é bom a gente continuar reclamando,
porque os problemas persistem. Historicamente, isso é fundamental."
No mundo
inteiro, a data ainda é comemorada, mas ao longo do tempo ganhou um aspecto
"comercial" em muitos lugares.
O dia 8 de
março é considerado feriado nacional em vários países, como a própria Rússia,
onde as vendas nas floriculturas se multiplicam nos dias que antecedem a data,
já que homens costumam presentear as mulheres com flores na ocasião.
Na China, as
mulheres chegam a ter metade do dia de folga no 8 de Março, conforme é
recomentado pelo governo - mas nem todas as empresas seguem essa prática.
Já nos Estados
Unidos, o mês de março é um mês histórico de marchas das mulheres.
No Brasil, a
data também é "comemorada" com protestos em todas as principais
cidades do país, com reivindicações sobre igualdade salarial e protestos contra
o aborto e a violência contra a mulher.
"Certamente
o 8 de Março é um dia de luta, dia para lembrarmos que ainda há muitos
problemas a serem resolvidos, como os da violência contra a mulher, do
feminicídio, do aborto, e da própria diferença salarial", observou Blay.
Segundo ela,
mesmo passadas décadas de protestos das mulheres e de celebração do 8 de Março,
a evolução ainda foi muito pequena.
"Acho
que o que evoluiu é que hoje a gente consegue falar sobre os problemas. Antes,
se escondia isso. Tudo ficava entre quatro paredes. Antes, esses problemas eram
mais aceitos, hoje não", disse Blay.
Por BBC

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