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Manifestante
segura cartaz com as fotos dos jornalistas Miguel
Mora e Lucía Pineda, presos na Nicarágua
Foto: Ezequiel Becerra / AFP
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Ministério
Público a acusa de incitar o ódio contra simpatizantes do partido governista.
Nicarágua enfrenta crise desde que protestos contra o governo surgiram, em 18
de abril.
Lucía Pineda,
diretora de imprensa do canal de televisão da Nicarágua 100% Noticias, que foi fechado pelo governo, foi
acusada de terrorismo e colocada em prisão preventiva, segundo nota emitida
pela Justiça do país.
O Ministério
Público acusou Pineda, que tem dupla nacionalidade nicaraguense e
costa-riquenha, de "provocação, proposição e conspiração para cometer atos
terroristas", segundo a comunicação distribuída pela Presidência da
República.
Os
argumentos da Justiça nicaraguense contra Pineda são de "incitar o ódio
por razões de discriminação política, difundindo na emissora de TV e em redes
sociais informações falsas e sem checar, com a intenção de gerar desânimo e
ódio radical contra os simpatizantes e membros do partido (governista) Frente
Sandinista de Libertação Nacional (FSLN)".
O MP também
acusa a jornalista de incitar o ódio "à instituição de ordem, à Polícia
Nacional, em clara provocação e indução a cometer crimes graves conexos, como
danos à propriedade pública e privada, ameaças e assédios, entre outros".
Pineda, de 45
anos e 23 de exercício profissional, é a segunda jornalista detida desde os
protestos contra o regime Daniel Ortega, que explodiram em 18 de abril. No
sábado, o dono da emissora de TV a cabo e de programação contínua 24 horas, o
jornalista Miguel Mora, foi preso, acusado dos mesmos crimes. Ele foi
apresentado algemado e com uniforme de presidiário a um tribunal.
Crise no
país
O canal 100%
Notícias, que transmite 24 horas via cabo, foi um dos veículos de comunicação
com cobertura mais constante sobre a crise na Nicarágua desde a explosão dos
protestos contra o governo em 18 de abril.
O presidente
Ortega qualifica os protestos como uma "tentativa de golpe de
estado". A repressão aos protestos deixou, segundo organizações
humanitárias, pelo menos 320 mortos, 600 presos e milhares de exilados em
países vizinhos.
Processo
marcado
O processo
inicial contra Pineda foi marcado para 25 de janeiro no Sexto Juizado Distrital
de Audiência de Manágua, aonde foi enviado um forte contingente da tropa de
choque.
A jornalista tinha sido apresentada sob sigilo à
Justiça neste domingo, 36 horas após ter sido presa na noite de
sexta-feira, quando a Polícia vasculhou e ocupou a sede do 100% Notícias, disse
à AFP o advogado da Comissão Permanente de Direitos Humanos (CPDH), Pablo
Cuevas.
O traslado de
Pineda, de 45 anos, foi feito sem o acesso da imprensa, nem notificação aos
seus familiares para que lhe conseguissem um advogado.
Uma equipe da
CPDH que permanece nos tribunais para dar assistência aos detidos foi que
alertou sobre a presença de Pineda no juizado e assumiu sua representação
legal, disse o advogado.
Os arredores do
complexo judicial estavam fortemente resguardados pela tropa de choque.
Por France Presse

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