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© Dida
Sampaio/Estadão Para o general Augusto Heleno, futuro
chefe do
GSI, Abin pode ajudar no trabalho contra o crime organizado
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BRASÍLIA -
O futuro chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, disse ao Estado que
deve manter a atual direção da Agência Brasileira de Inteligência (Abin),
comandada por Janer Tesch Alvarenga – oficial de inteligência
há 34 anos e no comando do órgão desde setembro de 2016. O general disse que
quer a Abin sem viés ideológico e integrada aos demais órgãos de inteligência
para atuar no combate ao crime organizado.
Ao ser
questionado se pretendia retomar características do extinto Serviço
Nacional de Informações (SNI), contestou: “Isso é uma bobagem. Não há
ideia de resgatar nada. Não estamos olhando para o retrovisor. Estamos olhando
para a frente”. Segundo ele, “a Abin é um órgão de Estado”, “não faz
bisbilhotagem” e “não fará nada fora da lei”. A seguir, os principais trechos
da entrevista concedida na sexta-feira passada.
O sr. vai
manter o atual diretor da Abin no cargo?
Essa decisão
não está tomada, mas tudo se encaminha para manter o Janer. Não tenho razão
para retirá-lo, mas ainda não consegui ir à Abin, nem conversei com ele.
Pretendo manter a estrutura atual. É o mais certo.
Qual será o
modelo de inteligência da Abin do governo Jair
Bolsonaro?
A ideia é ser o
mais inteligente possível (risos). É uma assessoria muito importante
para o presidente e para todos os membros do governo. O principal cliente da
Abin é o presidente. Mas a Abin trabalha em melhor proveito do Estado, não é do
governo. O objetivo é buscar o máximo de eficiência, a maior integração
possível entre os diferentes integrantes do Sistema Brasileiro de Inteligência,
criar um clima de absoluta confiança com os demais órgãos. A Abin tem um papel
bastante relevante e definido dentro do Estado brasileiro. Existe uma política
de inteligência que dá as normas e princípios de forma didática, servindo de
orientação para todas as atividades.
A Abin vai
bisbilhotar a vida dos opositores?
De jeito
nenhum. A Abin é um órgão do sistema brasileiro de inteligência. Inteligência
não é bisbilhotar a vida de ninguém. Inteligência é fundamental em todos os
governos do planeta e trabalha em cima de estudos, análises, coleta de
informações. São coisas científicas. Não tem nada a ver com bisbilhotar a vida
de ninguém. A Abin não faz isso, não fará nada fora da lei. Existem limites
legais muito bem definidos e ela vai se ater a isso.
Qual
avaliação o sr. faz da estrutura da Abin?
A ideia é
manter a estrutura. Foi feito um excelente trabalho nessa retomada da
existência do Gabinete de Segurança Institucional, que tinha sido dissolvido
pela ex-presidente Dilma
Rousseff. A partir daí, a ideia foi manter o que existia e fazer um
grande aperfeiçoamento do sistema de inteligência, inclusive com a aprovação da
política que dá os parâmetros do setor. Hoje, temos um compromisso com a
modernidade e isso é muito difícil porque há uma evolução constante de tudo,
principalmente de tecnologia. Temos de acompanhar as técnicas mais avançadas de
produção de informações, com respeito absoluto às normas legais e democráticas.
O fato de
o governo Jair Bolsonaro ter um grande número de militares significa
que a Abin pode voltar a retomar o antigo Serviço Nacional de Inteligência
(SNI) dos governos militares?
Isso é uma
bobagem. Um absurdo dizer isso. Não há ideia de resgatar nada. A ideia é de
partir para um Brasil novo. Não estamos olhando para o retrovisor. Estamos
olhando para a frente.
A Polícia
Federal fez na sexta-feira passada buscas na casa do advogado Zanone Oliveira Júnior, defensor
de Adélio Bispo de Oliveira, que cometeu atentado contra Bolsonaro. O GSI vai
trabalhar nisso?
É uma
investigação a cargo da PF. Confiamos plenamente que ela fará, como sempre, um
ótimo trabalho.
A Abin pode
ajudar a investigar quem cometeu atentado contra Bolsonaro?
Isso não é com
a Abin. Isso é questão de investigação policial, a cargo da PF.
Há temor de
novo atentado ao presidente eleito, seja na posse ou depois?
As informações
sobre isso, o próprio general Sérgio Etchegoyen, atual ministro do
GSI, já disse que existem informações que essa possibilidade (de atentado
contra Bolsonaro) continua.
Mas nós temos
absoluta confiança no dispositivo de segurança que está sendo montado para a
posse e depois.
A Abin pode
trabalhar no mapeamento para ajudar no combate ao crime organizado?
A Abin não só
pode, como tem de ajudar. A Abin é um dos elementos mais importantes do Sisbin.
Claro que a Abin vai ajudar não só a mapear o crime, trabalho que não é só
dela, mas continuar a ir atrás de informações buscando, o mais rápido possível,
diminuir a atuação do crime organizado e, se possível, neutralizá-lo. É complicado,
mas precisamos perseguir isso.
Tânia
Monteiro

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