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O futuro
ministro Onyx Lorenzoni (Casa Civil) durante entrevista na
sede do gabinete de transição, em Brasília —
Foto: Gustavo Garcia / G1
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Documento
divulgado pelo gabinete de transição informa que, em dez dias, ministros
deverão estabelecer prioridades de cada pasta e reavaliar os 'atos normativos
legais' de Temer.
Documento
divulgado nesta quinta-feira (27) pelo gabinete de transição do governo Jair
Bolsonaro informa que, nos primeiros dez dias de gestão, os ministros deverão
determinar as políticas prioritárias de cada área e fazer uma revisão dos atos
dos últimos 60 dias do governo Michel Temer.
O documento,
de 81 páginas, é assinado pelo presidente eleito, pelo futuro ministro
da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e por Pablo Antonio Tatim, coordenador de
Assuntos Jurídicos do Gabinete de Transição, indicado para Subchefe de Análise
e Acompanhamento de Políticas Governamentais.
"Nos
primeiros 10 dias, cada Ministério deverá elencar as políticas prioritárias
dentro de sua área de atuação – incluindo a revisão de atos normativos legais
ou infralegais publicados nos últimos 60 (sessenta) dias do mandato anterior,
para avaliação de aderência aos compromissos da nova gestão", diz o texto.
O documento é
uma espécie de cartilha sobre a burocracia estatal e a estrutura do Executivo
federal destinada aos integrantes do novo governo. Especifica desde princípios
constitucionais, como conceitos de legalidade e impessoalidade, até orientações
para nomeações de ocupantes de postos na administração federal, concessão de
diárias e passagens e utilização de aviões da Força Aérea Brasileira (FAB).
Calendário
do governo
O texto também
apresenta uma previsão de calendário do novo governo para os próximos 100 dias:
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Trecho do
manual elaborado pelo governo Bolsonaro determina
revisão dos
atos dos últimos 60 dias da gestão Temer
Foto:
Reprodução
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- Em 10 dias - Nomeação de cargos-chave
nos ministérios e autarquias, conhecer as estruturas dos ministérios,
apresentar aos principais comissionados as linhas gerais, revisar e
elaborar o plano de governo até 20 de janeiro, revisar os atos legais e
infralegais anteriores e identificar a pauta prioritária dos 100 dias.
- Em 30 dias - Revisão do modelo de
governança para adequação às linhas gerais do governo, definição de pautas
legislativas (observar MPs que afetam a área e identificar propostas e
emendas parlamentares relativas à pasta), elaboração das propostas
prioritárias e identificação de decretos e regulamentos que devam ser
revogados, verificação de acórdãos do TCU que afetem as pastas.
- Em 60 dias - Revisão dos conselhos e
comitês relacionados à pasta e seu funcionamento (com verificação da
possibilidade de extinção dos colegiados ou criação de estruturas mais
enxutas), encaminhamento à Casa Civil das propostas prioritárias e
preparação para balanço de 100 dias de governo.
- Em 90 dias - Encaminhamento do balanço
de 100 dias e encaminhamento ao CMAS e ao CMAP as políticas públicas
financiadas por subsídios que precisem ser avaliadas.
- Em 100 dias - Evento de divulgação do
balanço dos 100 dias.
Recomendações
O manual também
dá recomendações, por exemplo, sobre uso de veículos oficiais, imóveis
funcionais e auxílio-moradia e lista os cargos-chave de cada ministério.
Em outro trecho
da cartilha, há orientações da Comissão de Ética Pública da Presidência para
autoridades, como vedação para aceitar presente dado por pessoa, empresa ou
entidade que tenha interesse em decisão do gestor público ou do órgão que ele
atua.
O manual
destaca que súmula do Supremo Tribunal Federal proibiu o nepotismo na
adminstração pública, vendando a nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em
linha reta até o terceiro grau.
Reunião ministerial
Os ministros
indicados por Bolsonaro se reuniram nesta quinta na sede do governo de
transição. Após a reunião, Onyx Lorenzoni afirmou, sem dar detalhes, que os
futuros ministros apresentaram pelo menos duas propostas cada.
Segundo ele,
essas propostas serão levadas a Bolsonaro neste final de semana. Caberá ao
presidente eleito selecionar as que serão apresentadas como ações do próximo
governo.
A intenção,
informou Onyx Lorenzoni, é que sejam apresentadas ao menos 22 propostas
prioritárias.
“As medidas que
nós estamos identificando são aquelas que o governo vai apresentar à sociedade
para construir um conjunto, no mínimo, de 22 propostas, que são as entregas que
nós queremos fazer nos primeiros 100 dias [de governo]. Tanto que tem uma data
[na agenda de governo] que é o balanço dos primeiros 100 dias, onde nós
queremos mostrar todas as realizações que o governo fez”, afirmou Onyx.
Sem dar
detalhes, Onyx afirmou que o próximo governo vai “promover logo nos primeiros
movimentos” uma revogação de uma “série de instruções burocráticas que
infernizam a vida de cada homem e mulher no Brasil”.
Entre as
revisões que, segundo Onyx, serão feitas, estão reduções de subsídios. O futuro
ministro, no entanto, não detalhou quais subsídios serão cortados.
“Com critério,
os ministérios vão estudar com profundidade para iniciar lenta e gradualmente
um processo de redução de subsídios”, declarou.
Sem
quantificar, o futuro ministro da Casa Civil afirmou que os ministérios também
vão analisar corte de cargos comissionados.
“Entre a
administração direta, que são 23 mil cargos em comissão, e administração
indireta, entre cargos em comissão e funções gratificadas, o Brasil tem 120 mil
funções. Não há paralelo no mundo. Há uma determinação do presidente Bolsonaro
no sentido de que, com critério e estudo, cada ministério [cortará cargos],
ainda não está definido o volume dos cortes, mas não é razoável [o alto número
de cargos em comissão]", afirmou.
Onyx
acrescentou que existem “inúmeros órgãos” no aparelho governamental com funções
sobrepostas e que o futuro governo pretende acabar com “aquilo que é
disfuncional” e “focar” na melhoria da qualidade da prestação de serviços.
Reforma da
Previdência
Questionado
sobre quando o governo apresentará uma proposta de reforma previdenciária, Onyx
não estipulou um prazo.
“Está cada vez
mais madura [a proposta]. Os grupos estão muito afinados. No momento certo,
quando o presidente comandar, ela vai aparecer”, disse.
O indicado por
Bolsonaro para a Secretaria de Governo, general Santos Cruz, também foi
questionado sobre a reforma.
O futuro
ministro disse que é uma pauta “importante” e que os detalhes ainda vão ser
definidos.
Para Santos
Cruz, a reforma da Previdência é uma “questão matemática” que precisa ser
“resolvida”.
Silêncio
sobre Queiroz
Além da reunião
sobre ações prioritárias, os futuros
ministros participaram nesta quinta, pela manhã, de um curso sobre
administração pública e orçamento.
Segundo Onyx
Lorenzoni, em nenhum dos dois momentos, os ministros conversaram sobre a entrevista
ao SBT concedida por Fabrício Queiroz, ex-motorista do deputado estadual
Flávio Bolsonaro (PSL-RJ).
Ao ser
questionado sobre o assunto, Onyx afirmou: “Eu não vou falar sobre isso, não me
cabe falar sobre isso”.
O futuro
ministro da Secretaria de Governo, general Santos Cruz, também evitou falar
sobre a entrevista. Disse que não acompanhou, mas que este tema “não é um
assunto de governo”.
“Qualquer
pessoa pública tem que esclarecer aquilo que for duvidoso sem dúvida nenhuma.
Isso é normal”, disse.
“Isso aí não é
um assunto de governo, né? Apesar do sobrenome, por ser filho do presidente,
sempre tem um reflexo. Mas não é um assunto de governo, é de um parlamentar.
Pela relação de parentesco, você pode ter uma consequência qualquer. Mas tem
que separar as coisas”, completou Santos Cruz.
Em entrevista
ao SBT, Fabrício Queiroz afirmou que parte dos recursos veio da compra e venda
de veículos. Ele também disse ser um “cara de negócios”.
Relatório do
Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) mostrou que o
ex-motorista movimentou R$ 1,2 milhão em uma conta bancária durante um ano. As
operações foram consideradas atípicas pelo órgão.
Por Gustavo Garcia, G1 — Brasília


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