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© Kevin
Lamarque/Reuters Mudança no green card
proposta por Trump preocupa brasileiros
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Imigrantes
dependentes de certos benefícios sociais, como de saúde, moradia e alimentação,
terão mais dificuldade para conseguir um green card nos EUA a partir de agora,
segundo uma proposta anunciada no último sábado (22) pelo Departamento de
Segurança Interna do país.
A estimativa do
governo Trump é de que mais de 382 mil pessoas sejam afetadas ao ano pela
medida, e brasileiros não seriam exceção.
Mas a notícia
ainda não gerou tanta comoção na comunidade brasileira que vive no país, que
não está familiarizada com as mais de 400 páginas da proposta e prefere não se
desesperar antes da versão final da regra entrar em vigor.
"Ainda vai
demorar um pouco até as pessoas entenderem como funciona", diz Liliane
Costa, diretora executiva do Brazilian-American Center, organização que assiste
imigrantes na região de Framingham, em Massachusetts, reduto de brasileiros.
"Ainda não está tudo claro."
Heloísa Galvão,
diretora executiva do Grupo Mulher Brasileira, organização de brasileiras
imigrantes no mesmo estado, promoveu uma reunião na manhã desta terça (25)
entre lideranças comunitárias e religiosas da região na qual a proposta do
governo Trump foi discutida.
"As
pessoas não estão bem informadas", afirma. "A coisa mais importante é
deixar claro para a comunidade que a medida ainda não está em vigor e que as
pessoas não devem deixar de requerer benefícios por isso."
Os Estados
Unidos já dificultavam o processo de obtenção de visa ou do status de residente
permanente para aqueles que tinham boas chances de serem dependentes de
programas do governo.
Mas não
consideravam benefícios como o Medicaid (que promove cobertura de saúde para
indivíduos de baixa renda), o Snap (programa de assistência de nutrição
suplementar) e o Housing Choice Voucher Program (que fornece subsídios para
moradia) na hora de conceder a permissão.
Aqueles que já
têm o green card e os imigrantes ilegais, que já não têm direito a boa parte
dos benefícios, não devem ser afetados pela mudança. A preocupação será maior
em famílias que buscam se regularizar e nas quais ao menos um dos integrantes
está inscrito em programas de assistência.
"Acho que
a administração está tentando excluir pessoas com pouco recurso", diz
Annelise Araújo, advogada especializada em imigração. "Quem tem dinheiro
terá grande vantagem."
Para Jason
Boyd, da Aila (associação de advogados de imigração), a nova regra é
"profundamente preocupante".
"Representa
um ataque às famílias que trabalham duro e elevaria a novas alturas o muro
invisível que coloca imigrantes para fora do país", diz.
A proposta está
prevista para ser publicada no Federal Register, Diário Oficial dos Estados
Unidos, nas próximas semanas. Depois, ficará aberta a comentários públicos por
60 dias. Ela não precisa da aprovação do Congresso para entrar em vigor.
O advogado de
imigração Antonio Massa Viana, que atua em Massachusetts, diz que, se existe
uma preocupação com a novidade, não pode haver histeria, acrescentando que o
projeto ainda pode sofrer modificações.
Jesse Bless,
conselheiro legal do escritório Jeff Goldman Immigration, acredita que a
publicação da regra poderia, inclusive, ser afetada pelas eleições legislativas
de novembro.
A assistente de
compras Alice Vieira, 36, que está no processo para obter o status de residente
permanente, não está preocupada com a nova proposta. Seus três filhos, de 1, 14
e 16 anos, são americanos e já usaram o Snap.
"Essas
propostas sempre geram pânico, mas eu sei que muitos fatores pesam na hora de
conseguir um green card, diz ela, há 16 anos no país, entre idas e vindas.
"Eu não vejo como uma ameaça. Cada caso é um caso."
Ela acredita
que a nova regra não deve afetar muito o volume de concessões de status de
residente permanente. "Mas vai fazer as pessoas pensarem bem antes de
aplicar para os benefícios."
Segundo o
Departamento de Segurança Interna, 35.665 brasileiros obtiveram o status de
residentes permanentes entre outubro de 2013 e setembro de 2016 (cerca de 1% do
total). No quarto trimestre de 2017, foram concedidos 3.515 green cards.
A medida é só
mais uma dentro da política anti-imigração de Donald Trump. No ano passado, o
republicano anunciou que privilegiaria imigrantes altamente qualificados na
hora de conceder o green card.
Uma das últimas
ações do republicano foi reduzir em um terço o número de refugiados que serão
reassentados no país em 2019, em comparação com o teto de 2018. Com informações
da Folhapress.

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