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O presidente
da Venezuela, Nicolás Maduro, discursa na 73ª
Assembleia Geral da ONU, em Nova York, na
quarta-feira (26)
Foto:
Reuters/Eduardo Muñoz
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Em discurso
na ONU, presidente venezuelano afirmou que americano acredita que pode ser
‘juiz e policial do mundo’ e que ameaça seu país. Mas, apesar de diferenças
‘abismais’, acredita em diálogo.
O presidente da
Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou nesta quarta-feira (26) em discurso
na Assembleia Geral da ONU que Donald Trump age como se
acreditasse que pode ser “juiz e policial do mundo” e que promove uma
“perseguição ilegal” contra a Venezuela.
Ainda assim,
disse que, apesar das “abismais diferenças” entre ambos, estaria disposto a
apertar a mão do presidente dos EUA e conversar sobre assuntos regionais para o
bem de seu povo.
Ultrapassando
bastante o tempo estabelecido de 15 minutos que cada representante tinha para
discursar, Maduro disse que estava ali para dizer a verdade, pois representa um
povo “de heróica resistência, que nunca se curva, se ajoelha e se rende a
injustiças”.
Ele então
passou a acusar os Estados Unidos e seus aliados de promoverem uma campanha
para justificar uma intervenção em seu país. Citando a fala de Trump na terça,
na qual o americano disse que nenhuma ação na Venezuela estava
descartada, ele afirmou que seu povo já está acostumado com uma doutrina
“imperialista, intervencionista, colonialista”.
“Oligarcas que
dominam Washington querem controlar o poder na Venezuela. A economia tem sido
submetida a uma perseguição ilegal. Não podemos usar dólares em nenhuma
transação internacional. Nos impuseram sanções unilaterais ilegais. E o
presidente ontem falou em mais sanções contra meu país. E disse isso aqui. A
perseguição econômica da Venezuela é ilegal”, afirmou.
Maduro
acrescentou que existem ataques na mídia para justificar uma intervenção
internacional.
“Isso é uma
tentativa dos Estados Unidos e de seus aliados de colocar as mãos no nosso
país”
“Se querem
olhar para a verdadeira crise na imigração, olhem para a América Central, para
o México. Para construir um muro contra nossa gente, para famílias separadas e
divididas na fronteira. Agora a mídia quer fabricar uma crise de migração na
Venezuela para justificar o que está sendo chamado de intervenção humanitária”,
disse.
“Há ameaças
diretas. Corte de ajudas, bloqueio de ajuda a entidades internacionais que
prestam serviços humanitários na Venezuela. Uma ameaça foi lançada ontem –
ordens devem ser obedecidas, senão as nações sofrerão consequências. Houve um
feroz ataque contra a Venezuela. Apoiado por países aliados”, prosseguiu.
Encontro
Mas, apesar do
tom elevado nas críticas, Maduro disse que está disposto a se encontrar
pessoalmente com Trump para discutir assuntos que possam ser de interesse do
povo venezuelano.
"Apesar
das imensas diferenças históricas, das imensas diferenças ideológicas, eu
estaria disposto a apertar a mão do presidente dos EUA e a sentar para dialogar
sobre os temas bilaterais e os assuntos da região", disse.
"Estou
disposto a falar com uma agenda aberta, sobre os todos os temas que o governo
dos EUA quiser conversar, com franqueza e com sinceridade".
Para isso,
estaria disposto a superar o que chamou de “diferenças abismais”. "Sou um
motorista de ônibus e não um magnata, um bilionário...claro que temos
diferenças, mas são os diferentes que devem dialogar, são os diferentes que têm
que colocar sobre a mesa de negociação as palavras e a boa vontade”.
Investigação
Ainda durante
seu discurso, Maduro falou sobre o suposto atentado que sofreu em 4 de
agosto, quando um drone sobrevoou o local onde fazia um discurso e causou
uma explosão. Ele afirmou que investigações apontaram que o ataque foi
financiado e planejado de dentro dos Estados Unidos, e que teve participação de
gente treinada na Colômbia, com apoio do governo local.
Maduro também
disse que diplomatas do Chile, Colômbia e México deveriam ajudar as pessoas a
fugir depois que elas executassem o ataque. Ele pediu que a ONU colabore com
uma investigação internacional independente sobre o caso.
Por G1

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