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| Lindbergh Farias afirmou que não foi responsável pela elaboração da MP. |
Manifestação
foi enviada em inquérito que apura se senador beneficiou construtora numa MP
editada por Dilma. Em resposta, Lindbergh disse que não votou MP nem elaborou a
medida.
A Procuradoria
Geral da República (PGR) enviou uma manifestação ao Supremo Tribunal Federal
(STF) na qual disse haver indícios de que o senador Lindbergh Farias (PT-RJ)
atuou para favorecer a construtora OAS.
A manifestação
foi revelada pelo jornal "O Globo". A TV Globo também teve acesso ao
documento, enviado no âmbito do inquérito que apura se Lindbergh recebeu
propina para beneficiar a OAS numa medida provisória (MP) editada no governo
Dilma Rousseff – saiba detalhes mais abaixo.
Em resposta,
publicada no Facebook nesta segunda-feira (16), Lindbergh Farias afirmou que
não foi responsável pela elaboração da MP, não participou da comissão do Senado
que discutiu o tema nem participou da votação da medida provisória no plenário.
"Eles não
se deram nem ao trabalho de apurar esses fatos antes de tentarem manchar o meu
nome mais uma vez com essa insinuação mentirosa e absurda", completou o
senador.
Em nota
divulgada nesta terça-feira (17), Lindbergh acrescentou: "Aviso a todos
que esse tipo de insinuação é fake news e não vão me intimidar. Não vão me
fazer parar de lutar contra a prisão de Lula, contra as reformas trabalhista e
da previdência e contra esse sistema político e jurídico podre que só serve
para aumentar o lucro de banqueiros e grandes empresários por meio da
exploração do povo trabalhador."
O senador
Lindbergh Farias (PT-RJ), durante discurso na tribuna do Senado (Foto:
Jefferson Rudy-Agência Senado)
Entenda o
caso
A manifestação
da PGR foi enviada no mês passado ao ministro Celso de Mello, relator do caso
no STF. No documento, o Ministério Público Federal pede a continuidade das
investigações.
"Há
indícios que o investigado [Lindbergh], enquanto ocupante do cargo de senador
da República da base governista , teria influenciado a então presidente da
República na propositura de vetos parciais, com vistas a favorecer os
interesses do grupo OAS", afirma a procuradora-geral, Raquel Dodge.
O inquérito foi
aberto em setembro do ano passado para investigar a suspeita de que o senador
recebeu R$ 320 mil da OAS "a título de propina" por suposta atuação
no "processo legislativo da Medida Provisória 600/2012, convertida na Lei
12.833/2013".
Raquel Dodge
afirma que, segundo a Polícia Federal, os fatos apurados são de 2010, quando
Lindbergh era prefeito de Nova Iguaçu (RJ), o que configuraria perda de foro
privilegiado – o STF já decidiu que o foro só
vale para casos relacionados ao mandato e em função da atividade
parlamentar.
A
procuradora-geral, contudo, discorda da PF e diz que "os fatos
investigados ocorreram entre 2013 e 2014", quando Lindbergh Farias já
tinha mandato de senador.
O que diz a
PGR
Segundo as
investigações, mensagens extraídas do celular do ex-presidente da OAS José
Aldemário Pinheiro Filho, o Léo Pinheiro, indicam um jantar em São Paulo, em
junho de 2013, para acertar a suposta propina a Lindbergh.
O documento da
PGR diz que estavam presentes ao jantar Marcos Queiroz Galvão, Ricardo Pessoa
(UTC), Fustavo Rocha (Invepar) e Valdemir Flávio Pereira Garreta, então
marqueteiro de Lindbergh. No encontro, diz o Ministério Público, teriam
acertado o pagamento de R$ 320 mil ao senador.
A PGR também
cita um relatório da Polícia Federal segundo o qual a aprovação da lei 12.833
(referente à MP) possibilitou o uso do Regime Diferenciado de Contratações
Públicas, o qual permitiu a empresas serem contratadas sem obedecer a todos os
ritos de segurança e transparência previstos pela Lei de Licitação.
Raquel Dodge
descreve, ainda, um trecho do relatório policial segundo o qual a lei permitiu
"outros mecanismos que trouxeram facilidades para que empresas vinculadas
a atividades de engenharia e infraestrutura fossem contratadas sem
necessariamente serem submetidas aos critérios há adotados nas contratações
públicas".
Ao fim do
documento, Raquel Dodge reforça que os fatos aconteceram durante o mandato do
senador, ressaltando ao ministro Celso de Mello a "existência de
diligências pendentes e necessárias ao deslinde das investigações".
Por Camila Bomfim, TV Globo, Brasília

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