
Ministro do
STF concedeu entrevista ao jornalista Roberto D'Ávila, na GloboNews.
O ministro
do Supremo
Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes disse,
em entrevista transmitida pela GloboNews na noite desta quinta-feira (14), que
a Operação
Lava Jato teve uma projeção exagerada e indevida, mas que também
ganhou popularidade.
Gilmar Mendes
conversou com o jornalista Roberto D'Ávila (veja trecho no vídeo acima).
Ele disse que o país vive um "momento singular" e também comentou os
caminhos tomados pela operação.
"Toda essa
bem-sucedida Operação Lava Jato, que é digna de elogios, levou também ao
desaparecimento da classe política, dos partidos políticos. Por isso, ela
passou a ter uma lógica própria. Veja que a Lava Jato passou a propor medidas
legais, questionar medidas judiciais, a discutir aspectos que transcendem de
muito a sua própria competência, a sua própria atribuição, a atribuição dessa
chamada força-tarefa", disse.
"Mas,
sobretudo, me parece que o desaparecimento do Congresso com seu papel de
contemporização, de moderação e de enfrentamento muitas vezes levou que essa
organização, a Operação Lava Jato, ganhasse uma projeção talvez exagerada e
claramente indevida. Mas ela ganhou também popularidade".
O jornalista
questionou os motivos de Gilmar Mendes ao soltar suspeitos e acusados com
pedidos de prisão expedidos pelo juiz federal Marcelo Bretas.
Segundo o ministro, é necessário ver o "Judiciário dentro de uma estrutura
devidamente definida, estruturada e hierarquizada".
"As
exigências que nós fazemos para os decretos de prisão preventiva são exigências
talvez muito estritas. Não basta dizer genericamente que há interesse para a
instrução processual penal. É necessário que se tragam razões concretas".
"A
prisão preventiva se justifica para aquele que destrói provas, ameaça
testemunha, ameaça evadir-se. Fora daí, é preciso ter de cautela" - Gilmar
Mendes.
Roberto D'Ávila
também perguntou sobre a proximidade do ministro do STF com alguns presos que
tiveram habeas corpus julgados por ele. "Não somos amigos
íntimos, somos amigos naquela forma brasileira de ser", explicou.
"Eu fui
subchefe da Casa Civil desde 1996. Convivi com uma boa parte das lideranças
políticas que aí está. De vez em quando, os julgo. São pessoas que, às vezes,
vêm pedir audiência. Isso acontece. Não obstante, não estou impedido e nem
suspeito".
Ao mesmo tempo,
Gilmar Mendes se descreve como "um aplicador fiel da constituição".
Disse que se sentiu surpreso ao descobrir que a turma do STF concedia 30%
dos habeas corpus pedidos.
"Não
estamos falando de crimes bárbaros. Às vezes, estamos falando de furto de fita
de vídeo, de bambolê. Não é que a turma seja muito concessiva, é que há uma
dureza da lei penal por aí, por razões que às vezes se explicam: o furto do
bambolê estimula essa prática. Sabe-se lá como se avaliam esses fatos no
interior".
Por G1
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