A Escola Especial Favo de Mel, localizada no Complexo de Quintino da
Faetec, atende cerca de 125 alunos com diversos tipos de deficiência
intelectual. Além de alfabetização, matemática e outras disciplinas básicas, a
instituição oferece ensino profissionalizante, ajudando os alunos a se
inserirem no mercado de trabalho.
A professora Ana Cristina de Carvalho, do Núcleo de Inclusão Laboral –
setor responsável por fazer a mediação entre a escola e as empresas – explica
que a ação é um processo de transição dos alunos para a vida adulta.
Para se prepararem para o mercado de trabalho, os jovens têm à
disposição diversos cursos: auxiliar de garçom, auxiliar de cozinha, auxiliar
de serviços gerais, contínuo e auxiliar de escritório.
– Há três vertentes dessa inclusão ao mundo do trabalho: como
estagiário interno, na própria Faetec; como Jovem Aprendiz, em parceria com o
CIEE (Centro de Integração Empresa-Escola), experiência que dura 17 meses; e
como funcionários, que ocorre sempre com o nosso acompanhamento e uma prévia
sensibilização do setor que irá recebê-los – explicou Ana Cristina.
Além de estar atento às dúvidas e necessidades dos alunos empregados,
o Núcleo de Inclusão Laboral também monitora questões como horários e condições
de trabalho.
– A maior dificuldade é o estereótipo que eles carregam: no início, as
pessoas não dão credibilidade à eficiência deles, e acabam infantilizando as
situações. Depois, percebem que eles atendem bem a uma série de habilidades. O
mais importante é não colocarmos limites. A gente nunca sabe até onde eles vão
alcançar. E, muitas vezes, nos surpreendem – disse a professora do Núcleo de
Inclusão.
Escola enfatiza a autonomia
Diretora da escola, Márcia Macedo do Nascimento avalia que 25% dos
alunos estão no mercado de trabalho, mas que há muito mais jovens preparados
para o desafio.
– Estamos sempre em contato com empresas para ver vagas para eles, há
muitos alunos prontos e que desejam trabalhar. Eles são ótimos trabalhadores e
nunca houve um caso de demissão em nosso programa. A questão é que, pela lei em
vigor, quando um aluno começa a trabalhar, o benefício concedido pelo governo
federal fica suspenso. E os pais ficam com medo que essa suspensão
seja irreversível, porque um filho especial demanda cuidados contínuos,
como remédios e profissionais de saúde – explicou a diretora.
A Favo de Mel mantém um brechó com roupas, artigos de casa, bijuterias
e sapatos. As peças são organizadas e vendidas pelos alunos. O objetivo
pedagógico é estimular a independência em casa, além da oportunidade de
aprender a lidar com dinheiro, inclusive calculando o troco.
Com toda a renda arrecadada, os alunos fazem sempre uma festa de fim
de ano: os estudantes escolhem o tema, as músicas e o que mais desejarem para
confraternização com os amigos em mais um ano letivo de vitórias.
A Favo de Mel fica na Rua Clarimundo de Melo, 847, em Quintino
Bocaiuva.
Prazer em trabalhar
“Já trabalhei em um grande restaurante, como ajudante de cozinha, e há
um ano sou auxiliar de escritório na Cedae. Gosto do trabalho, as pessoas me
tratam bem. E, com o salário, compro coisas para mim, como roupas e sapatos,
além de ajudar nas despesas de casa. Na Favo de Mel, faço parte do time de
futebol e faço natação. Nos fins de semana, gosto de ir ao shopping com a minha
mãe e meu namorado.” - Jamile dos Santos, 31 anos
Sonho da casa própria
“Estou trabalhando para ajudar a fazer obra na casa da minha mãe e
depois quero construir a minha casa. Meu sonho é morar sozinho. Estou há quatro
anos como auxiliar de garçom em um restaurante. Quero fazer o curso de auxiliar
de cozinha na Favo de Mel. Cada vez que fico triste, porque minha mãe está
muito doente, venho para a escola e fico feliz, com os meus amigos. Estou na
Seleção Brasileira de Basquete para especiais, e vou competir em Dubai no ano
que vem.” - Diego Repizo Couto, 25 anos

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