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Brasil Gasolina;etanol; preços
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São Paulo – Não
é impressão: os preços de combustíveis estão mesmo subindo
toda hora.
De acordo com
o Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), o preço do diesel
subiu 56% desde julho de 2017.
A questão
atingiu em cheio o governo de Michel Temer com o protesto de caminhoneiros autônomos em
19 estados na segunda-feira e 22 estados na terça-feira, segundo a Polícia
Rodoviária Federal (PRF).
O governo diz
que vai zerar a Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) do
diesel, mas não há espaço fiscal para mexer nos impostos que pesam mais e o
preço está amarrado por outro fator.
Em julho de
2017, a Petrobras adotou uma nova política de reajustes quase que diários com
base no preço do petróleo no mercado internacional e o câmbio.
“Não tem muita
margem de manobra em cima dessa política nova”, nota Fernanda Delgado,
pesquisadora da FGV Energia.
A movimentação
pode ser para cima e para baixo, mas tem tido um viés forte de alta nas últimas
semanas porque os dois fatores de cálculo estão disparando.
O petróleo
chegou a bater na casa dos 80 dólares por barril, nível não visto desde
novembro de 2014, puxado por tensões geopolíticas que afetaram a oferta.
A saída dos
Estados Unidos do acordo nuclear com o Irã e os problemas da Venezuela
significam centenas de milhares de barris a menos por dia no mercado e podem
fazer a cotação subir ainda mais até o fim do ano, diz Fernanda.
Ela também
destaca o interesse da Arábia Saudita em segurar produção para garantir o maior
valor possível na oferta pública de ações da Aramco, sua estatal de petróleo,
marcada para 2019.
Já o real se
desvalorizou de forma acentuada. Além do cenário eleitoral incerto, há um
movimento de queda de várias moedas emergentes diante da expectativa de juros
maiores nos Estados Unidos, o que torna outros mercados menos atrativos em
comparação e gera fuga de recursos.
Por que o
governo não muda a fórmula?
O atual
presidente da Petrobras, Pedro Parente, exigiu do presidente Michel Temer
liberdade total para assumir o cargo e resiste a qualquer percepção de que a
estatal está sendo usada para fins políticos.
“Esse debate é
populista e já foi superado”, opina Walter de Vitto, especialista no
setor de petróleo da consultoria Tendências.
Ainda está
fresca na memória a experiência do primeiro governo de Dilma Rousseff, quando o
preço da gasolina era represado para ajudar a manter a inflação abaixo do teto
da meta.
“Isso gerou um
prejuízo muito grande e foi uma das coisas que quebraram a Petrobras. Uma das
melhores coisas que esse governo fez foi equacionar a situação da empresa e
acabar com essa ingerência política”, diz Paulo Feldman, professor de Economia
da USP.
A Petrobras
registrou no primeiro trimestre do ano seu melhor resultado em 5 anos e vai
fazer sua primeira distribuição de dividendos desde 2014.
Mas Feldman vê
com simpatia uma das ideias que vem sendo circuladas, que é de manter os
reajustes mas com frequência menor – não mais quase diária mas semanal, por
exemplo.
Os reajustes
constantes são criticados por Paulo Furquim de Azevedo, professor de
regulação do Insper, que defende um espaçamento maior ou com algum gatilho
pré-determinado.
“Não é porque
foi reação a uma política ruim que é uma política boa. Embora tenha a virtude
de colocar os preços pelo quanto de fato custam, carrega desnecessariamente
toda a volatilidade e nervosismo dos mercados cambial e de petróleo”, diz
ele.

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