
Assistente
social questiona números da prefeitura que apontam quase cinco mil moradores de
rua na capital fluminense. Morador de rua planeja voltar para casa.
As praias do
Rio de Janeiro têm se tornado albergues a céu aberto durante a noite. Na orla
da cidade, centenas de moradores de rua usam as areias para dormir. Pesquisa
divulgada em março pela Prefeitura do Rio afirma que quase cinco mil pessoas
vivem nas ruas da capital. Este dado é questionado, já que é bem menor que o
estudo publicado há dois anos, que apontava 15 mil moradores de rua.
“Estes dados
não nos geram confiança. A olho nu, observando a cidade, nós vemos um crescente
de pessoas nas ruas do Rio de Janeiro, em todos os bairros. Hoje você vê homens
jovens, sadios fisicamente, e estão na rua. Isso gera a compreensão de que
falta oportunidade de trabalho para muitas dessas pessoas ou muitas dessas
pessoas não estão habilitadas para o mercado de trabalho atual”, explicou a
assistente social Hilda Oliveira.
Marcos, que
veio de Natal, chegou ao Rio em busca de uma oportunidade. Mas há dois anos ele
se mudou para as ruas. “Por causa de bebida e de uns problemas que aconteceram
comigo, “deu ruim”. Até chegar a esse ponto. Para mim, eu estou usando como
escola, uma aprendizagem”.
Para não levar
problemas para a esposa, ele foi morar nas areias de Copacabana. “Os meus
problemas da rua eu não quero dividir com ela. Ela não merece porque foi só
benção na minha vida”.
De acordo com
Hilda, a estrutura da cidade para os moradores de rua é bem menor do que a
necessária. “O Rio de Janeiro deveria ter perto de dez centros de referência
para a população de rua. Tem apenas dois. Este número é muito pequeno e seria
um serviço de ótima qualidade para o primeiro atendimento a essas pessoas”.
As condições
dos abrigos também são alvo de críticas. “Hoje existe uma legislação que
recomenda abrigos de até 50 pessoas. Que tenham quartos que acomodem quatro
pessoas. Isso não é o que se aplica aos abrigos da cidade do Rio de Janeiro”,
destacou a assistente social.
A ideia de um
abrigo não passa pela cabeça de Marcos. Ele quer voltar para casa. “Antes do
final do ano eu vou para a minha terra. Eu quero ver o meu pai, minha mão, a
minha família. Dá uma segurança para eles, passar para eles que eu estou bem”.
Questionada, a
Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos afirmou que o
titular da pasta, João Mendes de Jesus, só dará entrevistas após tomar
conhecimento sobre como a secretaria funciona.
Por Bom Dia Rio
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