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| Entre as medidas está a redução de R$ 0,46 no preço do litro do diesel por 60 dias e a isenção de pegamento de pedágio para eixos suspensos de caminhões vazios. |
Representantes
da categoria se reuniram com o presidente em Brasília. Eles disseram que vão
orientar motoristas a encerrar greve após publicação das medidas no 'Diário
Oficial'.
Carlos Dahmer,
do Sinditac de Ijuí (RS), sobre acordo para por fim à greve de caminhoneiro
Representantes
de caminhoneiros autônomos afirmaram que aprovam as medidas
para a categoria anunciadas mais cedo neste domingo (27) pelo
presidente Michel Temer.
Com a nova
proposta, detalhada por Temer durante pronunciamento, o governo espera encerrar
a greve dos caminhoneiros, que chegou
neste domingo ao sétimo dia.
Entre as
medidas está a redução de R$ 0,46 no preço do litro do diesel por 60 dias e a
isenção de pegamento de pedágio para eixos suspensos de caminhões vazios.
Apenas a redução de R$ 0,46 no preço do diesel custará ao governo R$ 10
bilhões.
No pacote,
estava prevista a edição de três medidas provisórias para atender à demanda dos
caminhoneiros. As MPs saíram em edição extra do Diário Oficial da União publicada
no fim da noite deste domingo.
Durante o
pronunciamento de Temer, foram registrados panelaços no DF, Rio de Janeiro e
São Paulo. Acompanhe
Temer faz
pronunciamento sobre greve dos caminhoneiros
Fim da
greve?
"Saiu no
'Diário Oficial', a nossa recomendação é que aceitem [as propostas e liberem as
estradas]", afirmou Carlos Alberto Litti Dahmer, presidente do Sindicato
dos Transportadores Autônomos de Carga (Sinditac) de Ijuí (RS).
"Eles
[caminhoneiros] só vão aceitar [o acordo proposto pelo governo] após saírem
publicadas no 'Diário Oficial' as medidas que foram negociadas aqui",
disse José da Fonseca Lopes, presidente da Associação Brasileira dos
Caminhoneiros (Abcam), uma das entidades que não tinham assinado o acordo na
quinta-feira (24).
O grupo não tinha
assinado o acordo
proposto pelo governo na quinta-feira (24) por entender que ele
não atendia às suas reivindicações. Diante da manutenção da greve pelos
caminhoneiros, as entidades foram chamadas de volta a Brasília nesta domingo
para negociar a nova proposta.
De acordo com
eles, com as estradas desobstruídas, serão necessários de 8 a 10 dias para
normalizar o abastecimento de combustível e alimentos no país.
"Daquilo
que se propunha, o nosso movimento está contemplado. Nós queríamos piso mínimo
de frete, suspensão no preço do combustível do PIS-Cofins, que está
contemplado, queríamos a suspensão por 60 dias de novos reajustes para ter
previsibilidade e o setor se organizar. Está contemplado", afirmou Dahmer.
Para ele, uma
das principais conquistas para a categoria será a fixação de um valor mínimo
para o frete.
"Essa
política de preço vai fazer com que a gente saiba a quanto está trabalhando e
ninguém vai poder nos explorar menos do que aquele valor, que será o nosso
custo", disse.
Corte do
PIS-Cofins e CIDE
A proposta
anunciada por Temer prevê a redução de R$ 0,46 no litro do diesel, que terá
validade por 60 dias. A partir daí, os reajustes no valor do combustível serão
feitos a cada 30 dias, decisão que, segundo o presidente, visa dar mais
"previsibilidade" aos motoristas.
Ele informou
que o corte de R$ 0,46 se dará com a redução a zero das alíquotas do PIS-Cofins
e da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) sobre o diesel.
A proposta
anterior, divulgada na quinta, já contemplava o corte na CIDE. A novidade,
portanto, é a suspensão da cobrança do PIS-Cofins sobre o diesel.
No caso do
diesel, os valores praticados pela Petrobras são mais da metade (55%) do preço
pago pelo consumidor nos postos; 7% é o custo do biodiesel, que, por lei, deve
compor 10% do diesel, e 9% corresponde aos custos e lucro dos distribuidores,
conforme os cálculos da Petrobras, que levam em conta a coleta de preços entre
os dias 6 e 12 de maio em 13 regiões metropolitanas do país.
Cerca de 29%
são tributos, sendo:
- 16% ICMS, recolhido pelos Estados
- 13% Cide e PIS-Cofins, de competência da União.
O ministro
Carlos Marun disse que o Procon vai fiscalizar se a redução anunciada por Temer
cheguerá às bombas.
"A redução
vai chegar às bombas. O Procon está, inclusive, editando medida e vai fazer
fiscalização no sentido de que o nosso objetivo, de que essa redução chegue ao
tanque do caminhoneiro, se torne realidade", afirmou.
Eixo
suspenso e fretes da Conab
Temer também
anunciou a edição de três medidas provisórias para atender a outras demandas
dos grevistas. As MPs saíram em edição extra do Diário Oficial da União
publicada na noite deste domingo e preveem:
- Isenção da cobrança de pedágio para eixo suspenso
de caminhões vazios, em rodovias federais, estaduais e municipais;
- Determinação para que 30% dos fretes da Conab sejam
feitos por caminhoneiros autônimos;
- Estabelecendo de tabela mínima dos fretes.
Medidas
provisórias têm força de lei e começam a valer assim que o texto é publicado no
"Diário Oficial da União". A partir daí, o Congresso Nacional terá
até 120 dias para analisar as MPs. Se isso não acontecer no prazo, as medidas
perderão validade.
Reoneração
da folha
Durante o
pronunciamento, o presidente afirmou que os pontos do acordo negociado na
semana passada seguem valendo, entre eles o que tira o setor de transporte
rodoviário de carga da chamada reoneração da folha.
A proposta, que
na prática eleva a arrecadação federal, já foi aprovada pela Câmara e ainda
depende de análise do Senado. Vários setores que haviam sido atendidos com a
desoneração perderão o benefício. Segundo Temer, o setor dos caminhoneiros não
estará entre esses setores.
Por Fernanda Calgaro, G1, Brasília

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