
Fernando de
Carvalho Lopes foi convocado para depor na CPI dos Maus-Tratos no Senado.
Promotor e delegada dizem a senador que já há elementos suficientes para
indiciamento
Acusado de ter abusado de pelo menos 40 crianças atletas e
ex-atletas entre 1999 e 2016, o ex-técnico da seleção de ginástica
Fernando de Carvalho Lopes tem depoimento marcado para esta quarta-feira na
Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Maus-Tratos, no Senado, em
Brasília.
Segundo
acusações divulgadas pelo "Fantástico" no último dia 6, Fernando
Lopes também filmava as crianças tomando banho no vestiário e no banheiro da
sua casa, para onde as vítimas eram levadas algumas vezes.
'Já acordei com
a mão dele dentro da minha calça', conta ginasta abusado por ex-treinador
Em requerimento
feito na semana passada, o senador Magno Malta (PR-ES) justificou a convocação,
afirmando que "é necessário que a CPI ouça o acusado visando o
esclarecimento dos fatos contribuindo com o processo investigativo".
Nesta
terça-feira, Malta se reuniu com o promotor Luiz Marcelo Mileo e com a delegada
Teresa Alves de Mesquita Gurian, responsáveis pelo caso, em São Bernardo do
Campo, para ouvir informações sobre as investigações. O promotor e a delegada
informaram que há elementos suficientes para indiciar Fernando Lopes.
A CPI foi
instalada no Senado em 9 de agosto do ano passado para investigar crimes
relacionados aos maus-tratos em crianças e adolescentes no Brasil em meio à
polêmica de uma performance de nudez artística que interagiu com uma criança no
Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM). Tinha prazo para conclusão em 22 de
dezembro, mas foi prorrogada para 18 de agosto deste ano.
Ainda na semana
passada, Fernando
Lopes e seu advogado, Luis Ricardo Davanzo, afirmaram que o técnico não
pretendia participar de audiências no Senado e na Câmara dos Deputados antes
que o inquérito - que corre sob sigilo no Ministério Público de São Bernardo do
Campo e na Delegacia da Mulher, do Adolescente e da Criança (DDM) - seja
concluído e ele ser formalmente denunciado.
- O ideal seria
que eventuais manifestações tanto da Câmara quanto do Senado aguardassem a
conclusão do inquérito e, por consequência, a formação da acusação. Como vai se
manifestar para outras autoridades antes da policial? - disse Davanzo ao jornal
"Diário do Grande ABC".
O processo no
qual vítimas acusam Fernando Lopes de "estupro de vulnerável" (art.
217 do Código Penal) foi aberto em junho de 2016, na 2ª Vara Criminal do
Ministério Público de São Bernardo do Campo. Até agora, 24 pessoas já foram
ouvidas, sendo ao menos 14 vítimas - as demais são testemunhas.
Fernando
Lopes também foi chamado para participar de audiência pública na Câmara dos
Deputados pela Comissão do Esporte, mas rejeitou o convite - ele
só é obrigado a atender a convocação na CPI. O deputado Evandro Roman (PSD-PR),
autor do convite, quer criar código de conduta para evitar abusos sexuais
contra crianças em todas as áreas do esporte.
Por Maurício Oliveira e Paulo Roberto Conde,
São Paulo
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