![]() |
Jesús
Santrich, ex-comandante das Farc-EP, em foto
de 5 de
setembro de 2014 (Foto: Adalberto Roque/AFP)
|
Jesús
Santrich, que assumiria uma das 10 cadeiras parlamentares cedidas aos
ex-rebeldes, foi detido a pedido dos EUA, sob acusação de tráfico de drogas.
'Processo de paz está em seu ponto mais crítico e ameaça ser um verdadeiro
fracasso', advertiu porta-voz das Farc.
O acordo de paz
que permitiu o desarmamento das Farc na Colômbia entrou em "seu ponto mais
crítico", após a captura de um negociador da ex-guerrilha procurado nos
Estados Unidos por tráfico de drogas.
Esta foi a
advertência feita nesta terça-feira (10), separadamente, pelo partido de
esquerda Farc, surgido dos acordos, e o governo do presidente Juan Manuel
Santos.
"Com a
captura do nosso camarada Jesús Santrich, o processo de paz está em seu ponto
mais crítico e ameaça ser um verdadeiro fracasso", disse o porta-voz da
formação Iván Márquez.
O acordo, que
terminou com um confronto de mais de meio século, está sendo implementado e
esta etapa deve durar 15 anos.
Contudo, ainda
está pendente, por exemplo, a reparação das milhões de vítimas de um conflito
que também contou com a força pública e grupos de ultradireita.
Detido na
segunda-feira em Bogotá a pedidos dos Estados Unidos, Santrich devia assumir
uma das 10 cadeiras parlamentares cedidas aos antigos rebeldes marxistas como
parte dos compromissos de paz.
Mas agora o
ex-negociador poderia ser extraditado para que responda em um tribunal de Nova
York por conspiração para o envio de 10 toneladas de cocaína, advertiu Santos.
Segundo as
autoridades, Santrich tentou seguir com atividades do narcotráfico depois de o
acordo ter sido assinado no final de 2016, o que o exclui dos benefícios que
blindam os ex-comandantes diante dos requerimentos da Justiça americana.
O comissionado
de paz do governo, Rodrigo Rivera, reconheceu que a paz enfrenta sua crise
"mais séria, grave e delicada".
Pedido de
calma
Aos 51 anos e
portador de deficiência visual, Seusis Pausivas Hernández, conhecido como Jesús
Santrich, foi detido antes da visita que o presidente americano, Donald Trump,
realizaria no fim de semana à Colômbia e que foi cancelada nesta terça-feira por outros motivos.
Santrich está
preso na sede da Procuradoria e começou uma greve de fome. Outras três pessoas
foram detidas na operação, embora ainda não tenham confirmado seu vínculo com a
Farc.
O ex-negociador
entregou quilos de cocaína para demonstrar que podia ter acesso a toneladas da
droga e enviá-la aos Estados Unidos, assegura a acusação da Procuradoria de
Nova York.
"É claro
que estamos diante de outra montagem da Justiça americana", afirmou
Márquez.
Assinado após
quatro anos de negociações em Havana, o acordo de paz levou ao desarmamento de
milhares de combatentes em 2017.
No entanto, os
envolvidos em crimes atrozes ainda não confessaram seus crimes ou repararam as
vítimas para que possam receber penas alternativas à prisão.
"Uma falsa
acusação pode ser muito grave, devastadora, e uma ameaça para o processo com a
Farc. Mas se for certo, será uma lição", disse à AFP o senador Iván
Cepeda, que assessorou as negociações de paz em Cuba.
Os
ex-guerrilheiros acusaram o governo de Santos de múltiplos incumprimentos, em
meio ao conflito que ainda persiste em algumas partes do país e que é
financiado em grande parte pelo narcotráfico.
A todos
"pedimos que mantenham a calma, não aceitem a provocação (...) É
indiscutível que se pretende forçar a fuga ao processo para justificar a
continuidade da violência", assinalou Márquez.
Embora os
dirigentes tenham descartado seu retorno à guerra, paira o medo de que muitos
ex-integrantes da guerrilha peguem em armas novamente.
ELN toma
nota
Centenas de
combatentes se afastaram do processo de paz e hoje integram as chamadas
dissidências, que contam com 1.200 homens e mulheres armados.
Ao mesmo tempo
que os combate, o governo persegue facções armadas do narcotráfico e tenta
selar um acordo com o Exército de Libertação Nacional (ELN) em Quito.
Precisamente,
esta guerrilha interpretou a prisão de Santrich como "um tapa" ao
acordado com a Farc e uma demonstração da "nula vontade do governo de
facilitar um verdadeiro processo de paz".
Em meio aos temores
por uma eventual reativação da violência, a Força Alternativa Revolucionária do
Comum (Farc) pediu um encontro de urgência com Santos, e outro com a ONU e os
patrocinadores de Cuba e Noruega.
A crise
desatada pela captura de Santrich ocorre alguns dias depois de o novo partido
pedir ajuda diante da "situação de precariedade" que rodeia os 26
territórios onde os ex-combatentes se concentram.
Nessas zonas
não há "condições dignas" de saúde e moradia, como tampouco está
garantida a segurança alimentar e o desenvolvimento econômico.
"O governo
terá que falar com os desmobilizados e explicar as provas que tem, e, se as
confirmar, a Farc deverá enfrentar as consequências", disse Yann Basset,
analista da Universidade El Rosario.
Por France Presse

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Obrigado pelo seu comentario.
Fique sempre ligado do que acontece em nossa cidade!