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© Wilton
Junior/Estadão A Polícia Militar realizou operações
na zona
norte e vias foram interditadas para evitar que alguém
fosse
atingido por balas perdidas.
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Uma menina de 3
anos e um adolescente de 13 foram mortos a tiros nesta terça-feira, 6, no Rio
de Janeiro, em mais um dia marcado por assaltos, tiroteios e interrupção de
trânsito em importantes vias da cidade. A criança foi fuzilada em um assalto e o rapaz, alvejado
durante uma operação policial contra criminosos.
Emily Sofia, de
3 anos, havia acabado de sair de uma lanchonete em Anchieta, na zona norte
carioca, por volta de 2h30 da madrugada. Ela estava com os pais, Uésley Lima,
de 36 anos, e Maria Auxiliadora Marriel, de 21, que também foram baleados. A
família seguia para casa quando foi cercada por pelo menos cinco assaltantes.
Lima teria se assustado e acelerado. A quadrilha, com fuzis, atirou diversas
vezes contra o veículo.
Os três foram
socorridos, e a criança morreu na unidade de pronto-atendimento. Lima passou
por cirurgia para extrair uma bala do abdome e tinha quadro estável na
terça-feira à noite. Ao saber da morte da filha, Maria Auxiliadora abandonou o
hospital antes mesmo de receber alta.
Os bandidos
deixaram uma granada no local do crime e fugiram sem levar nada. Para escapar,
o grupo roubou um carro na Estrada do Engenho Novo, ainda em Anchieta, e
abandonou o outro veículo em que estava quando atirou contra o casal e a
garota. No carro, havia uma emulsão (uma mistura) de dinamite.
Até a noite
desta terça-feira, os bandidos não haviam sido identificados. A Polícia Civil
suspeita que o grupo tenha cometido outro crime na mesma madrugada. Trata-se da
explosão de uma agência bancária em Nilópolis, na Baixada Fluminense, a menos
de dois quilômetros de onde a família foi baleada.
Outra morte. Nesta
terça-feira, a Polícia Militar realizou duas operações no Complexo da Maré, na
zona norte carioca, e em uma delas o
adolescente Jeremias Moraes da Silva, de 13 anos, foi baleado. Ele
chegou a ser socorrido pelos bombeiros, mas chegou morto ao hospital. Segundo a
mãe, a auxiliar de serviços gerais Vânia Moraes, o filho foi atingido quando
voltava para casa após jogar futebol. Durante as operações na Maré também
morreu baleado Mateus Ribeiro, de 20 anos. Ele foi levado ao hospital por um
taxista, mas não resistiu.
Segundo a
Secretaria de Segurança, havia a informação de que quatro pessoas – entre elas
policiais – haviam sido rendidas por bandidos em uma das favelas da Maré, a
Nova Holanda, o que motivou a entrada do caveirão, veículo blindado da polícia.
A pasta não informou se essas pessoas foram liberadas.
Por volta das 15 horas, quando os PMs deixavam a comunidade e seguiam pela Avenida Brasil, principal via de acesso ao Rio, criminosos passaram a disparar em direção a eles. Para evitar que alguém fosse atingido, a PM ordenou o fechamento da via, segundo a secretaria.
Por volta das 15 horas, quando os PMs deixavam a comunidade e seguiam pela Avenida Brasil, principal via de acesso ao Rio, criminosos passaram a disparar em direção a eles. Para evitar que alguém fosse atingido, a PM ordenou o fechamento da via, segundo a secretaria.
A Avenida
Brasil foi interditada por volta de 16 horas. Também foram fechadas as Linhas
Vermelha e Amarela, onde motoristas tiveram de voltar na contramão. As vias
foram liberadas cerca de meia hora depois.
O Complexo da
Maré é um conjunto de 16 favelas onde vivem cerca de 130 mil habitantes. Fica
entre a Avenida Brasil e a Linha Vermelha e é cortado por um trecho da Linha
Amarela. A área é disputada por quadrilhas rivais.
Governo. Em
nota, o governador Luiz Fernando Pezão (MDB) lamentou as mortes e disse que
“essa não é a cidade que todos nós queremos”. Já o secretário de Segurança,
Roberto Sá, negou que tenha havido erro em alguma das ações policiais
realizadas na Maré. Segundo ele, a operação na favela Nova Holanda foi emergencial
e não havia como impedir desfechos indesejados.
Menores vítimas
de violência
A cada três
dias, a cidade do Rio de Janeiro teve uma morte violenta de criança ou
adolescente de até 17 anos em 2016, segundo dados do Instituto de Segurança
Pública fluminense. Foram 126 registros de mortes violentas – como homicídios,
latrocínios e lesões corporais seguidas de morte – nessa faixa etária. Isso
representa 6,6% do total de 1.909 ocorrências. O perfil predominante das
vítimas, em 82% dos casos, é de pretos e pardos. E a maioria dos óbitos foi por
arma de fogo.
A ONG Rio de
Paz indica outro dado: 43 crianças ou adolescentes até 14 anos perderam a vida
durante assaltos ou por bala perdida desde 2007 no Rio e na região
metropolitana.
Foi o caso de
Maria Eduarda Alves, de 13 anos, baleada dentro da escola onde estudava em
Acari, na zona norte, em março do ano passado. A perícia confirmou que um dos
tiros que atingiu a menina partiu da arma de um policial militar. A PM fazia
operação no momento do crime.
Em junho do ano
passado, um bebê foi atingido dentro da barriga da mãe durante confronto entre
policiais e traficantes na Favela do Lixão, em Duque de Caxias, na Baixada
Fluminense. A criança ficou um mês internada, mas não resistiu.

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