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Imagem de 10
de janeiro mostra soldado norte-coreano
em posto na
margem do rio Yalu, perto da cidade de Sinuiju,
que fica do lado oposto da cidade chinesa de
Dandong
(Foto: Chandan Khanna/AFP)
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Sanções foram aplicadas em
resposta a testes nucleares e mísseis norte-coreanos.
Do lado chinês da fronteira
norte-coreana, as sanções da ONU contra o programa nuclear de Pyongyang abalaram
a economia. Uma fábrica deserta, restaurantes fechados e casas vazias são
provas de sua dependência dos trabalhadores da Coreia do Norte.
Pequim, o principal apoio
econômico e diplomático da Coreia do Norte, votou em 2017 várias rodadas de
sanções na ONU em resposta a testes nucleares e de mísseis norte-coreanos.
A repercussão é evidente em
Dandong (nordeste), cidade fronteiriça onde transita a maior parte do comércio
bilateral.
Em uma fábrica têxtil, as máquinas
de costura estão paradas: as costureiras norte-coreanas tiveram que voltar ao
seu país, com a aplicação das sanções da ONU.
O comércio com a Coreia do Norte
desencadeou um boom econômico em Dandong, e uma zona econômica
de cooperação foi construída nas margens do rio Yalu, que marca a fronteira.
Mas a imensa ponte de quatro
pistas que liga a China à Coreia do Norte ainda não foi inaugurada, três anos
depois do fim das obras. A construção custou quase 290 milhões de euros.
"Na economia de Dandong e na
vida cotidiana do habitante médio, o impacto é claro", diz Lu Chao,
pesquisador da Academia de Ciências Sociais da província de Liaoning
(nordeste). "O comércio com a Coreia do Norte foi um pilar da economia
local".
Mao-de-obra
O empresário Lin sabe disso muito
bem. Ele se instalou em Dandong, estimulado pelas oportunidades econômicas e
pelo baixo custo da mão de obra norte-coreana.
"Os norte-coreanos são
disciplinados e trabalhadores", disse o empresário, que prefere não dar
seu sobrenome. No ano passado, contratou 100 costureiras da Coreia do Norte, de
entre 18 e 32 anos. Elas chegaram no dia 1 de setembro.
O contrato assinado por Lin
detalhou as condições de trabalho: um dormitório limpo, três banhos quentes
semanais e dois momentos por semana para "estudar as políticas e
venerar" o líder norte-coreano Kim Jong-un.
"Elas consideram seu líder
como um deus", conta o empresário.
Antes, Lin enviava tecidos para a
Coreia do Norte, onde as costureiras locais faziam jaquetas e casacos, depois
levados à China. Como as primeiras sanções da ONU proibiram essa prática, ele
escolheu trazer as trabalhadoras norte-coreanas para Dandong.
As últimas medidas da ONU ordenam
o retorno dos trabalhadores da Coreia do Norte, um desastre para sua fábrica,
que hoje está quase vazia, devido à falta de mão-de-obra chinesa competente e
barata.
Segundo ele, dos 30 mil
norte-coreanos que ainda trabalhavam em Dandong em agosto, 6 mil voltaram ao
seu país.
Restaurantes e tratores
Na zona econômica de cooperação, a
maioria dos apartamentos e restaurantes estão vazios.
"Não há nada", lamenta
Yue Yue, um funcionário de uma agência imobiliária localizada na "Cidade
de Cingapura", um complexo residencial de luxo. Apenas um terço das casas
foram vendidas, e o preço das restantes teve que ser reduzido em 30%",
explica.
Em aplicação às sanções da ONU, as
empresas norte-coreanas presentes na China tiveram que fechar em janeiro. Entre
elas, estavam muitos restaurantes. Isso afetou aproximadamente 90% das
mercadorias importadas da Coreia do Norte. E as últimas medidas afetam as
cargas que vão na direção oposta.
Wang Xueliang, à frente da empresa
comercial Dandong Balance, diz que não pode mais enviar tratores, caminhões e
carros para o país vizinho.
Antes, ele costumava vender uma ou
duas unidades por mês para clientes norte-coreanos, que pagavam em yuanes ou
dólares. Mas, segundo ele, a China proibiu todas as vendas de veículos para a
Coreia do Norte no início de janeiro.
Por France Presse

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