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Amigos e parentes de Óscar Pérez participam
de missa celebrada
após seu enterro em cemitério em Caracas, na
Venezuela, no
domingo
(21) (Foto: Federico Parra/AFP)
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Mulher e mãe
do ex-policial queriam que corpo fosse levado ao México, onde moram. Sob forte
esquema de segurança, cemitério só foi aberto após final do enterro; atestados
de óbito confirmam que todos em seu grupo morreram com tiros na cabeça.
O corpo do ex-policial Óscar Pérez, morto
durante uma operação para sua captura, foi sepultado neste domingo (21) em
Caracas contra a vontade de sua viúva e de sua mãe, denunciaram familiares do
piloto rebelde.
"Decidiram arbitrariamente realizar o
enterro controlado, sem permitir velá-lo e muito menos permitir transferi-lo
com sua família", escreveu no Twitter Dana Vivas, viúva de Pérez, morto na
segunda-feira passada, juntamente com seis aliados.
Vivas mora no México com os três filhos que
teve com o ex-policial, que se sublevou contra o presidente Nicolás Maduro,
durante protestos da oposição, que deixaram 125 mortos entre abril e julho do
ano passado.
"Eu o quero comigo para enterrá-lo onde
eu quiser", havia dito na véspera Aminta Pérez, sua mãe, que também mora
no México.
A entrada para o Cemitério do Leste, o
principal da capital venezuelana, amanheceu com forte esquema de segurança. O
sepultamento de Pérez ocorreu com o local fechado ao público e com entrada
permitida apenas a dois familiares.
Uma hora depois, quando as portas se abriram,
dezenas de pessoas começaram a chegar, estendendo uma bandeira da Venezuela
sobre o túmulo e depositando flores e um uniforme do Corpo de Investigações
Científicas e Criminalísticas, ao qual Pérez pertenceu.
Apesar da denúncia de Vivas, Aura Pérez, tia
do ex-policial, mostrou-se aliviada, após seis dias de espera pela entrega do
corpo. "Queria fazer o enterro do meu sobrinho", declarou à AFP,
evitando falar do pedido de traslado ao México.
Estiveram presentes no cemitério familiares
dos mortos nos protestos em 2017, como os pais de Juan Pernalete, jovem
manifestante que, segundo a ex-procuradora Luisa Ortega, morreu quando um
militar disparou à queima-roupa uma bomba de gás lacrimogêneo, uma versão que o
governo nega.
Pérez e seus homens "se rebelaram contra
o assassinato de manifestantes pacíficos", comentou à AFP a mãe do rapaz
falecido, Elvira Pernalete.
Óscar Pérez foi acusado de
"terrorismo" e declarado "o criminoso mais procurado"
da Venezuela, após atacar, a bordo de um helicóptero, em 27 de junho
passado, edifícios do governo com granadas e armas de fogo. Não houve vítimas
no incidente. Em 18 de dezembro, seu grupo amordaçou militares em seu quartel,
de onde levou fuzis e munições.
No sábado, em meio a discretos protestos em
redutos da oposição em Caracas pela morte de Pérez, dois de seus companheiros
foram enterrados no Cemitério do Leste. Os outros quatro foram trasladados para
as cidades de Maracaibo (noroeste) e San Cristóbal (oeste).
Todos morreram atingidos por disparos na
cabeça, segundo os atestados de óbito publicados pela imprensa, e organizações
de direitos humanos alertam para possíveis "execuções
extrajudiciais". O governo sustenta que as autoridades reagiram a fogo
inimigo.
"Sua esposa e sua mãe têm temores
fundamentados de voltar ao país (...) Tentaremos apoiar a solicitação (de
enviar o corpo ao exterior), mas há uma investigação em curso e o corpo é
fundamental", declarou à AFP o diretor da ONG de direitos humanos Fórum Penal,
Alfredo Romero.
Por France Presse

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