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A capela de
Santa Joana, localizada em Alta Can Can de Cunco,
no Chile,
ficou em chamas após ataque na noite de 16 de janeiro
de 2018 (Foto: Alejandro Hidd via AP)
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Pontífice
está na terra dos mapuches, etnia que denuncia discriminações e reivindica a
restituição de territórios ancestrais.
Ataques com
artefatos incendiários a templos católicos e a três helicópteros de empresas
florestais foram registrados na região de Araucanía, sul do Chile, horas antes
da visita do Papa Francisco à área para celebrar uma missa nesta quarta-feira
(17) em Temuco (800 km ao sul de Santiago). Um dos conflitos deixou um policial
ferido a bala, informa a agência EFE citando a polícia.
Os ataques
ocorreram durante a madrugada em áreas rurais da Araucanía. Segundo Bruno
Villalobos, diretor da polícia chilena, os autores são desconhecidos "que
querem causar desordem ou alteração da ordem pública" durante a visita do
Papa.
Temuco é o
coração da terra dos mapuches, a etnia mais importante do Chile, que denuncia
discriminação e abusos e reivindica a restituição de territórios ancestrais
hoje em mãos privadas. Eles esperam essa oportunidade para dar visibilidade à
sua causa.
Os ataques
incendiários são frequentes na região de La Araucanía. Nos últimos anos, foram
mais de 100 atentados contra maquinário florestal e templos religiosos.
Tensões
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Fiéis
esperam pelo Papa Francisco em Temuco,
no Chile
(Foto: Edgard Garrido/Reuters)
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Depois da
liturgia, Francisco deve se reunir com um grupo de indígenas, cujas identidades
ainda não foram reveladas pela organização do encontro. Na sequência, volta
para Santiago, onde se reunirá com jovens e visitará a Universidade Católica da
capital.
"O
programa da visita do Santo Padre reflete sua preocupação com uma zona que
viveu tensões importantes, com a qual quer compartilhar uma mensagem de paz e
para onde busca levar palavras de esperança que possibilitem o encontro entre
as pessoas", disse recentemente o coordenador nacional da Comissão que
organiza sua visita ao Chile, Fernando Ramos.
Antes da chegada
dos conquistadores espanhóis no Chile, em 1541, os mapuches eram donos das
terras que vão do rio Biobío a até cerca de 500 quilômetros mais ao sul. Após
sucessivos processos, os índios dessa etnia, que representam 7% da população,
foram forçados a viver em pouco mais de 5% de seus antigos domínios.
Sem canais de
negociação abertos, espera-se que a visita do papa à zona possa servir para
aproximar posições nesse conflito de longa data.
Fiés fazem
vigília à espera de missa
No aeródromo de
Maquehue, em Temuco, a expectativa é que a "missa da integração dos
povos" reúna uma multidão tão grande quanto a de terça-feira (16) na
capital, que teve um público de 400 mil pessoas.
Desde a
madrugada, milhares de fiéis iniciaram a vigília no local, depois de
percorreram mais de três quilômetros a pé.
Envoltos em
mantas, ou em sacos de dormir, com gorros e parcas para suportar o frio do sul
do Chile, os peregrinos aguardavam por horas a missa que oficiará o papa
Francisco, o segundo pontífice que visita esta cidade depois de João Paulo II
em 1987.
Por Agencia EFE


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