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© Fábio
Motta/Estadão Caravana de Lula desembarca
no Rio de
Janeiro, na cidade de Campos dos Goytacazes
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MARICÁ - Em
caravana há três dias pelo Espírito Santo e o Rio, o ex-presidente Luiz Inácio
Lula da Silva (PT) insinuou, na noite desta quarta-feira, 6, que a Operação
Lava Jato teria ajudado a quebrar o Rio de Janeiro.
"A Lava
Jato não pode fazer o que está fazendo com o Rio. É preciso fazer uma
distinção: se um empresário errou, prende o empresário. Mas não precisa quebrar
a empresa, porque quem paga o pato é o trabalhador, que é inocente”, afirmou o
petista. “Por causa de meia dúzia que eles dizem que roubou, e que ainda não
provaram, não podem causar o prejuízo que estão causando à Petrobras",
completou, em um ato em Maricá, cidade praiana a 60 quilômetros da capital
fluminense governada pelo PT.
O evento faz
parte da caravana do petista no Rio e no Espírito Santo. A ex-presidente Dilma
Rousseff (PT) também esteve presente no ato, que durou cerca de 25 minutos. O
ex-presidente segue no estado do Rio até sexta-feira, quando passa pela
capital. Na quinta-feira, estará na Baixada Fluminense. É sua terceira caravana
em 2017.
"Eu nunca
na minha vida vi o Rio tão pobre, infeliz, quase na falência. O governador não
tem 1% de aprovação, o outro governador está preso, o outro também, a
governadora também, o presidente da assembleia também. A política está em
processo de destruição no País e o Rio é a grande vítima disso",
continuou, referindo-se ao governador Luiz Fernando Pezão (PMDB), aos
ex-governadores Sérgio Cabral (PMDB), Anthony Garotinho (PR) e Rosinha
Garotinho (PR) e ao presidente afastado da Alerj Jorge Picciani (PMDB).
Lula disse
também que chegará à corrida presidencial de 2018 com disposição para ganhar:
"Estou com 72 anos e o tesão de um homem de 20 para fazer política. Um
homem de 72 não tem o direito de ter raiva, porque à noite não dorme direito. O
que quero é que eles tenham raiva de mim para ficarem com azia todo dia. Se
querem me derrotar, vão disputar comigo nas urnas. Se eles não sabem cuidar
desse país, eu sei."
Dilma defendeu
Lula das acusações da Lava Jato e disse que a possibilidade de ele ser impedido
de se candidatar, caso sua condenação seja confirmada em segunda instância,
seria "a terceira etapa do golpe". "A terceira etapa é impedir
que a gente volte. Querem tirar Lula porque eles não têm um candidato
minimamente passável para o povo brasileiro', discursou.
População. O
município de Maricá é governado pelo PT há oito anos. A filha de Lula Lurian da
Silva é dirigente local da legenda e participou do ato. Durante o dia, a
prefeitura mandou arrancar cartazes colados em muros com dizeres contra o
ex-presidente: "Fora de Maricá. Lula ladrão, seu lugar é na prisão".
A segurança foi reforçada pela polícia por conta da possibilidade de haver
protestos contra ele, mas nada aconteceu. A população de Maricá foi chamada a
assistir o comício de Lula por carros de som que circularam desde segunda-feira
pelas ruas. Na prefeitura, os servidores foram convocados.
Eles chegaram
cedo à Praça principal da cidade para aguardar Lula. Às 17 horas, ainda no
horário do expediente, servidores começaram a encher a praça.
Dois grupos
entrevistados pela reportagem disseram apoiar o ex-presidente, mas declararam
que iriam de qualquer forma ao ato, por terem sido assim orientados por seus
superiores. Eles não quiseram se identificar.
Num outro
grupo, funcionários da área de Assistência Social se diziam ansiosos para Lula
chegar. "Quero muito vê-lo. Foi o melhor presidente do Brasil. Tenho
certeza que pelo povo ele se elege ano que vem, mas vão fazer tudo para
impedir", disse ngela Santos, de 44 anos. A colega Ana Cláudia Silva, de
41 anos, acha que "não vão conseguir provar nada contra Lula".
"O povo quer ele de volta".
O professor
Arthur Cirilo, de 21 anos, teme que Lula concentre a rejeição dos brasileiros à
corrupção. "Acham que (o deputado Jair) Bolsonaro (PSC) é um salvador da
pátria e vai deter a impunidade, o que não faz sentido. Ninguém lê nada,
prefere ser massa de manobra. Lula nunca quis ser milionário, não é um Sergio
Cabral (o ex-governador, aliado de Lula em seus mandatos, está preso há um ano
por corrupção)".
O processo a
que Lula responde no caso do triplex no Guarujá (SP) está no Tribunal Regional
Federal da 4.ª Região (TRF-4) e o julgamento deverá sair antes do início da
campanha presidencial, possivelmente ainda no primeiro semestre de 2018. Se o
TRF-4 confirmar a decisão da primeira instância, ele será barrado pela Lei da
Ficha Limpa - ficará inelegível por sete anos.
Líder de todas
as pesquisas de intenção de voto para presidente, Lula foi condenado em julho
pelo juiz federal Sérgio Moro a nove anos e seis meses de prisão por corrupção
e lavagem de dinheiro. O juiz entendeu que ele recebeu o triplex como propina
da construtora OAS em troca de contratos da empresa com a Petrobras.

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