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Obras do
legado renderam milhões em propina,
escreve o
MPF (Foto: Reprodução)
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Para
procuradores, eleição da Rio-2016 ocorreu 'a todo custo', em alusão à compra de
votos. Investimentos teriam sido atraídos para beneficiar pessoas próximas ao
ex-governador.
Assim que a
cidade do Rio de Janeiro foi escolhida como sede da Olimpíada, autoridades públicas celebraram o
que chamavam de legado olímpico como a mais sedutora vantagem aos cariocas para
realizar os Jogos. Agora, o Ministério Público Federal (MPF) desmonta a tese.
Diz que a "avalanche" de
dinheiro foi desviada em obras públicas para o benefício privado de poucos — a
quem os procuradores chamam de "amigos da corte" do ex-governador
Sérgio Cabral (PMDB).
A acusação mais
recente mostra também que a escolha da sede não teria sido propriamente
democrática: "a todo custo", nas palavras dos procuradores, em alusão
à investigação de compra de votos
em bloco. Por ela, o juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal,
determinou a prisão de duas pessoas.
Carlos Nuzman,
presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), e seu braço direito, Leonardo
Gryner, teriam pago mais de U$ 2,7 milhões a membros africanos do Comitê
Olímpico Internacional (COI) em troca da escolha da Rio-2016.
A ordem teria
partido de Cabral num "contexto de ganha-ganha do esquema criminoso,
envolvendo contratos e pagamento de propinas e lavagem de dinheiro".
A quadrilha, como denominam os
procuradores, buscou meios para atrair investimentos para o Rio e
"beneficiar os 'amigos da Corte' com contratos públicos vantajosos".
"Diversas obras, anunciadas como
"legado" das Olimpíadas de 2016 renderam milhões em pagamento de
vantagens indevidas (propina) a Sérgio Cabral e demais membros da organização
criminosa", escrevem os procuradores.
Cinco obras,
44 envolvidos
O órgão lista
as intervenções urbanísticas relacionadas à Olimpíada e o longo elenco de
denunciados. São citados como exemplos o Arco Metropolitano, Maracanã, Linha 4
do Metrô, Transcarioca e Recuperação Ambiental da Bacia de Jacarepaguá.
São 44
denunciados, alguns deles mais de uma vez — como o próprio ex-governador, a
esposa dele, Adriana Ancelmo, e operadores como Hudson Braga e Carlos Miranda.
"Nesta
grande 'jogada', o planejamento e execução da vinda dos Jogos Olímpicos para o
Rio de Janeiro - a todo custo - foi uma das melhores estratégias de
capitalização financeira e política para a organização criminosa chefiada por
Sérgio Cabral, que pôde multiplicar as possibilidades de ganhos ilícitos com a
realização de obras e com os contratos de serviços firmados com outros membros
da organização, sempre mediante pagamento de expressivas quantias de propinas
aos agentes políticos".
Por Gabriel Barreira, G1 Rio

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