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© Foto: Mike Egerton/PA Images/Getty
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A Polícia Civil descobriu que
Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157, encomendou armas e munição de países
europeus e dos Estados Unidos para disputar o controle da venda de drogas na
Rocinha com seu antigo chefe, Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem. Os
investigadores checam denúncias de que o criminoso se preparava, desde o início
do ano, para o conflito que explodiria no dia 17 deste mês, investindo alto em
armamento, principalmente fuzis. As forças de segurança buscam um paiol
enterrado na mata da comunidade.
As suspeitas sobre a importação de
armas, que estariam chegando ao morro inclusive pela Via Dutra, aumentaram no
último dia 10, apenas uma semana antes do início dos confrontos. Um
carregamento avaliado em R$ 500 mil, que era levado para a Rocinha, foi interceptado
na rodovia. A carga consistia em uma pistola e três fuzis, produzidos na
Bélgica e na Romênia. Seria apenas uma parte do arsenal que Rogério vinha
reunindo. Ontem, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou
um projeto que inclui o porte ilegal de armas de fogo de uso restrito, como
fuzis e metralhadoras, no rol de crimes hediondos.
A apreensão de uma parte do
arsenal da Rocinha foi feita por equipes da Delegacia Especializada em Armas,
Munição e Explosivos (Desarme) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF). As armas
e cápsulas estavam numa Parati, que havia partido de São Paulo. O motorista do
carro foi preso e confessou que levava o material para Rogério 157. Durante a
invasão da Rocinha pelo bando de Nem, dezenas de homens carregando fuzis foram
flagrados por câmeras de segurança — a Polícia Civil informou que já
identificou 59 bandidos envolvidos na guerra do tráfico. A Desarme abriu um
inquérito para apurar como as armas chegaram à comunidade.
Desde a última sexta-feira, quando
tiveram início as operações conjuntas das polícias Civil e Militar e das Forças
Armadas na Rocinha, 23 fuzis foram apreendidos. Ontem, enquanto agentes faziam
mais buscas na favela, parentes de traficantes abandonaram suas casas.
Em Brasília, com o aval da CCJ, o
projeto que torna crime hediondo o porte de armas de uso restrito vai, agora, à
votação no plenário do Senado. O relator da proposta, senador Eduardo Lopes
(PRB-RJ), afirmou que a posse ilegal de armas que só podem ser usadas por
militares, órgãos de segurança ou pessoas devidamente habilitadas pelo Exército
representam uma grave ameaça à população, o que justifica considerá-la um crime
hediondo. Pela lei, tal classificação permite um prazo de prisão temporária
maior (até 30 dias, prorrogável por igual período) e impede que o preso tenha
direito à liberdade provisória, entre outras punições.
A CCJ rejeitou emendas da Câmara e
aprovou o projeto original, que já havia passado pelo Senado em 2015. O relator
considerou que era melhor manter na proposta que as medidas se aplicam a
qualquer armamento restrito, sem especificar, como queriam os deputados, que
deveriam ser fuzis, metralhadoras e submetralhadoras.
Agência O Globo

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