Ministros minimizam mal-estar entre Temer e Maia por conta do PSB

© Dida Sampaio/Estadão Temer deixa a casa de Maia
após jantar de reaproximação com o presidente da Câmara
BRASÍLIA - Em uma tentativa de minimizar mal-estar entre o presidente Michel Temer e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), em razão do PSB, ministros e interlocutores de Temer no Congresso Nacional negaram nesta terça-feira, 18, que os dois discutiram sobre esse tema em jantar nesta noite na residência oficial do parlamentar fluminense.
"Essa conversa nem sequer foi tocada, porque não existiu nenhuma iniciativa do presidente Temer com relação à filiação partidária. Não cabe ao presidente Temer tratar desse assunto. Isso é uma questão de natureza dos presidentes partidários", afirmou o ministro da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy, que é do PSDB. "Foi uma conversa entre bons amigos e homens públicos exemplares."
Segundo o tucano, no jantar, eles trataram da pauta de votações no Congresso no segundo semestre, entre elas a reforma da Previdência. Ele afirmou que o governo vai fazer avaliações sobre o texto aprovado pela comissão especial da Casa. Ele afirmou que o Palácio do Planalto "ainda não tem essa posição" sobre votar uma reforma mais enxuta, apenas com a elevação da idade mínima, como defendeu o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR).
Também presente no encontro, o líder do governo na Câmara, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), também negou que o mal-estar entre Temer e Maia tenha sido tratado no jantar. "O que existe é muito ruído, em que se tenta jogar um contra outros. Mas a maturidade dos dois não vai permitir prejudicar a relação entre eles", afirmou o parlamentar.
Além de Imbassahy, Aguinaldo e Maia, participaram do jantar os ministros Bruno Araújo (Cidades), do PSDB, e Mendonça Filho (Educação), do DEM. O encontro foi articulado para tentar desfazer o atrito que ocorreu mais cedo entre Maia e Temer em razão das negociações feitas pelos dois para atrair dissidentes do PSB para seus respectivos partidos.
'Superada'. Aliado de Maia, o ministro da Educação afirmou que está "tudo tranquilo e resolvido". Segundo Mendonça, a questão do mal-estar foi "superada ao longo do dia". "Para o Rodrigo, o assunto está superado e para o presidente Temer também. Ninguém ficou remoendo essa questão", disse o ministro em entrevista ao Estadão/Broadcast após o jantar.
Mendonça afirmou que o clima no encontro foi "ameno e harmônico", com vários convidados, permitindo que a conversa "fosse mais descontraída". O ministro disse ainda que Temer e Maia estão focados na agenda de interesse do Brasil e que a relação partidária e pessoal está "absolutamente harmonizada".
Convites. Em café da manhã fora da agenda oficial nesta terça-feira no apartamento da líder do PSB na Câmara, deputada Tereza Cristina (MS), Temer fez um convite a parlamentares do PSB descontentes com a direção do partido para que ingressem no PMDB. O convite, porém, acabou criando um novo atrito com o presidente da Câmara, também interessado em atrair para o DEM alguns parlamentares pessebistas.
O PSB deixou oficialmente a base do governo em maio, logo após a divulgação da delação do empresário Joesley Batista, da JBS. Contudo, manteve o Ministério de Minas e Energia nas mãos do deputado Fernando Bezerra Coelho (PE), que faz parte da ala insatisfeita com a cúpula da legenda. Com uma bancada de 37 deputados e 5 senadores, parte dos parlamentares do PSB tem votado com o governo no Congresso.
O encontro na casa a líder do PSB foi marcado nesta segunda-feira, 17, por meio do deputado Danilo Forte (PSB-CE) e contou com a presença de outros deputados dissidentes. Logo depois do café, a líder do partido e outros parlamentares seguiram para a residência oficial de Maia, onde foram recebidos para tratar da filiação ao DEM.
Segundo aliados de Maia, ele ficou irritado ao saber que Temer procurou os dissidentes do PSB, mesmo conhecendo as negociações com o DEM. Interlocutores dizem que ele já tinha avisado pessoalmente a Temer sobre as conversas. Um auxiliar do Planalto reconheceu que a atitude do presidente foi “afoita”, mas ponderou que faz parte do perfil dele de atender aos parlamentares para tentar unir a base.

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