Carnaval do Rio pode não ter ensaios técnicos em 2018

Informação foi repassada após reunião da Liesa com o prefeito Marcelo Crivella. Riotur diz que vai garantir mais R$ 6,5 milhões com patrocinadores.
Os ensaios técnicos da escolas de samba no Sambódromo, no Centro do Rio, correm o risco de não acontecer neste carnaval. É que com o corte da subvenção da prefeitura as escolas e a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) e as 13 agremiações do Grupo Especial talvez não tenham como arcar com as despesas de uso da Marquês de Sapucaí, estimadas em R$ 4 milhões. Os ensaios técnicos, uma prévia dos desfiles, com entrada franca, eram realizados nos fins de semana, um mês antes, do desfile oficial.
Na manhã desta segunda-feira (10), na segunda reunião entre o prefeito Marcelo Crivella, o presidente da Liesa, Jorge Castanheira e os presidentes das escolas do Grupo Especial, ficou acertado que a prefeitura vai repassar às escolas R$1 milhão em parcelas entre julho e novembro e que a Riotur repassaria, através de contratos com patrocinadores, mais R$ 500 mil a cada uma das 13 escolas, sem prazo ainda definido. A reunião a portas fechadas ocorreu na sede da prefeitura, na Cidade Nova, no Centro do Rio.
Segundo Castanheira, o ensaio técnico, que não está dentro do contrato com a prefeitura e está em suspenso inicialmente. Com o corte na subvenção municipal, as escolas também ainda terão analisar se terão como participar dos eventos do réveillon, este sim, previsto em contrato.
"Vamos analisar ainda, porque é um custo muito grande para a Liesa é para as escolas. Já a participação das escolas no réveillon, que está em contrato, vai se depender de um esforço de cada escola. Entendemos a crise que a prefeitura está passando e o prefeito teve sensibilidade para entender a dificuldade das escolas. A Riotur garantiu que já está em negociação com patrocinadores para conseguir os R$ 6,5 milhões, de complemento", destacou Castanheira, lembrando que a prefeitura havia feito cortes de 25% nos demais contratos firmados e só o carnaval teve um corte de 50%.
Por conta do corte de verba, Castanheira admitiu ter de rever o regulamento para os desfiles de 2018. Ou seja, a possibilidade de reduzir o número de alegorias. As escolas também teriam que se readequar, com a redução do contingente de componentes.
"Chegamos a uma equação com a prefeitura. Agora, as escolas terão de fazer um exercício forte para reverter o atraso que esse impasse causou. Elas vão ter de se reestruturar no limite do razoável. Não vai ser fácil, faz falta esses R$ 500 mil. Mas as escolas vão fazer um esforço e vamos fazer um belo espetáculo", disse o presidente da Liesa.
Presidentes das escolas como Ney Filardi, da União da Ilha do Governador, não saíram exatamente satisfeitos com o resultado da reunião. Segundo ele, as soluções alternativas não vão compensar as perdas do carnaval.
"Tivemos a perda do patrocínio da Petrobras, depois perdemos a ajuda do governo do estado e agora a prefeitura só vai pagar R$ 1 milhão e parcelado. Os R$ 500 mil da Riotur não estão certos. Onde vai parar a qualidade do carnaval? Material e mão de obra estão mais caros", destacou Filardi.
O presidente da Estação Primeira de Mangueira, Chiquinho da Mangueira, lembrou que a esta época do ano, as escolas já firmaram compromisso com mestre-sala e porta-bandeira, comissão de frente, pessoal do barracão e que, quanto mais tarde deixa para fazer a compra do material, mais alto fica o custo do carnaval.
"Quanto mais se demora, mas caro fica o carnaval, mais caro fica o material. O ideal seria que a gente tivesse uma carta de crédito da Liesa com o repasse da prefeitura, para que pudéssemos ir ao mercado buscar os materiais que precisamos. Mas infelizmente isso não aconteceu. A Mangueira vem de um resgate de nove anos de dívidas, de 149 ações trabalhistas. Conseguimos pagar R$ 9 milhões dos R$ 14 que a escola devia. Certamente que com essa redução da verba, vamos ter de cortar uma alegoria e componentes. E não vai ter ensaio técnico. Cada ensaio custa para as escolas de R$ 150 mil a R$ 200 mil. Não temos como arcar com isso quando há corte de verbas. E também vai ser difícil a Mangueira participar do réveillon, que custa uns R$ 80 mil. Temos de buscar uma maneira de economizar", disse Chiquinho da Mangueira.
Uma nova reunião entre o prefeito, a Liesa e as escolas de samba foi marcada para a próxima segunda-feira (17), quando será assinado o contrato para o repasse da verba.

Por Alba Valéria Mendonça, G1 Rio
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