![]() |
Manifestantes
protestam na frente da Justiça Federal,
em Curitiba
(Heuler Andrey/AFP)
|
Desembargadores federais endurecem
ainda mais as penas impostas pelas sentenças do juiz Sérgio Moro
Responsável por julgar as
sentenças do juiz Sérgio Moro em segunda instância, o Tribunal Regional Federal
da 4ª Região deve dividir ainda mais as atenções com o juiz de Curitiba nas
ações envolvendo a Lava-Jato no próximo ano. Até hoje a corte já julgou sete
apelações envolvendo 28 condenados por Moro em primeira instância, aumentando
as penas de nove deles em 78 anos e sete meses em dez condenações (um réu pode
ser condenado mais de uma vez em diferentes ações). Considerando as penas
reduzidas, mas que mantiveram alguma condenação, e os réus absolvidos, o número
de penas diminuídas chegou a 34 anos.
Nos casos dos réus que tiveram as
penas aumentadas, as decisões em segunda instância ainda aguardam embargos
(questionamentos a pontos das decisões) que podem vir a alterar o tempo de
pena, antes de transitarem em julgado na Corte.
Quatro réus tiveram a pena
reduzida, mas continuaram com condenação a ser cumprida, e outros quatro foram
absolvidos. Além disso, foram mantidas até agora as penas de 11 réus dadas pelo
juiz da Lava-Jato. Em alguns casos, um réu pode ter uma pena aumentada em uma
condenação, mas diminuída em outra, como ocorreu com o delator Paulo Roberto
Costa, que teve uma pena de seis anos e seis meses aumentada para 14 anos e
oito meses pelo TRF, enquanto que em outra ação penal teve sua pena de sete
anos e seis meses reduzida para seis anos. Como é delator, contudo, o
cumprimento de sua pena, independente da condenação, ocorre de acordo com o
previsto no acordo de delação premiada.
Das sete apelações, três já
transitaram em julgado na Corte, e quatro ainda aguardam os julgamentos dos
embargos, que questionam pontos das decisões do Tribunal, podendo alterar
algumas das penas. Além delas, ainda há 7 apelações aguardando para serem
julgadas pelo Tribunal.
Ao todo, o juiz Sérgio Moro já
proferiu 23 sentenças na Lava-Jato, que somam um total de 118 condenações.
Antes de ir para a segunda instância, os réus podem recorrer das sentenças
ainda em primeira instância e, além disso, nem todos os réus recorrem das
condenações.
Incluindo as apelações, que
questionam as sentenças de Moro, a Corte já recebeu um total de 591 recursos.
Destes, 335 são habeas corpus que já foram baixados (tiveram sua tramitação
concluída) e 48 habeas que ainda estão tramitando. Os habeas corpus podem
envolver desde o pedido de réus para restituir os bens apreendidos ao longo da
operação até questionamentos sobre a atuação do juiz Moro e pedidos de soltura
para os que estão presos.
No Tribunal, os casos ficam sob a
relatoria do desembargador João Pedro Gebran Neto, que pertence à 8ª Turma do
TRF4, formada por um total de três desembargadores e onde são julgados os
processos da Lava-Jato. Além das três apelações que aguardam a análise dos
embargos, estão sob análise no gabinete de Gebran outras oito apelações que
podem definir o destino de outros réus da Lava-Jato.
Com o entendimento adotado neste
ano pelo Supremo Tribunal Federal autorizando o início do cumprimento das penas
dos réus após o trânsito em julgado das sentenças em segunda instância, é
possível que, com o julgamento dos embargos que ainda faltam já no próximo ano,
alguns dos grandes empresários condenados na Lava-Jato já comecem a cumprir
suas penas.
Um dos casos mais emblemáticos é o
do ex-presidente da OAS José Adelmário Pinheiro Filho, conhecido como Léo
Pinheiro e que tenta negociar uma delação premiada ao mesmo tempo em que os
executivos da Odebrecht, maior empreiteira do país, encaminham as tratativas de
sua colaboração, já assinada com a Procuradoria-Geral da República.
Em agosto de 2015, Léo Pinheiro
foi sentenciado por Moro a 16 anos e quatro meses de prisão. Em 23 de novembro,
o Tribunal aumentou a pena do executivo para 26 anos e sete meses.
Do universo de condenados que
recorreram ao TRF4, oito são delatores, que devem cumprir a pena definida pelo
acordo, independente da condenação. Ainda assim, isso não impede o Tribunal
Regional Federal de alterar as penas dadas a eles por Moro.
Paulo Roberto Costa teve uma pena
aumentada e uma reduzida. Já Nestor Cerveró foi o que teve o maior aumento de
pena em uma de suas condenações, que saltou de 12 anos três meses e dez dias
para 27 anos e quatro meses. Outra condenação dele, contudo, foi mantida pelo
Tribunal.
Já o doleiro Alberto Youssef teve
suas duas condenações aumentadas. O lobista Fernando Baiano também teve sua
condenação aumentada de 16 anos um mês e dez dias para 26 anos. Outros
doleiros, Leonardo Meireles, Carlos Habib Chater e o lobista Júlio Camargo
tiveram suas penas mantidas. Nelma Kodama, por sua vez, teve sua condenação
reduzida.
(Estadão Conteúdo)

0 comentários:
Postar um comentário
Obrigado pelo seu comentario.
Fique sempre ligado do que acontece em nossa cidade!