Segundo delator, o petista José
Guimarães recebeu cerca de R$ 97 mil reais de propina
A procuradoria-geral da República
apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) denúncia contra o líder da
minoria na Câmara dos Deputados, José Guimarães (PT-CE), pelos crimes de
corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Conforme revelou VEJA, o delator da Operação Lava Jato Alexandre Romano,
conhecido como Chambinho, contou aos procuradores do Ministério Público que o
parlamentar havia usado sua influência política junto ao Banco do Nordeste para
destravar um negócio milionário: a concessão de financiamento de 260 milhões de
reais pela instituição a subsidiárias de uma empresa responsável pela
construção de usinas eólicas ligada ao grupo Engevix. Em troca, Guimarães
recebeu cerca de 97.000 reais de propina em dois cheques. As investigações são
um desdobramento das apurações sobre o petrolão.
“O panorama probatório coletado demonstra
robustamente o recebimento doloso de vantagem indevida pelo deputado federal
Guimarães, mediante o pagamento de dívidas pessoais por terceiros. A propina
foi recebida em razão da atuação do parlamentar perante a presidência do Banco
do Nordeste do Brasil, de sua indicação e sustentação política, para viabilizar
a concessão de financiamento de acordo com os interesses da empresa Engevix”,
disse o procurador-geral Rodrigo Janot na peça enviada ao Supremo.
Durante as investigações,
Chambinho apresentou às autoridades cópia dos cheques dados ao político. No
canhoto do talão, ele registrou a natureza do gasto: “despesas gerais JG”, de
José Guimarães. Embora o dinheiro tenha sido enviado ao parlamentar depois dos
favores escusos, o deputado petista preferiu não embolsar a propina e utilizou
o dinheiro para pagar os honorários de seus advogados.
Sem saber da origem dos recursos,
o escritório Bottini & Tamasauskas Advogados confirmou a VEJA o recebimento
do dinheiro, informou que declarou a operação e já prestou todas as informações
à Justiça. O outro cheque, de 67.761 reais, era a uma empresa que forneceu
matéria-prima para uma gráfica contratada pelo político.
Em nota, o deputado negou ter
participado da transação envolvendo o Banco do Nordeste e a Engevix. “Jamais
intermediei junto ao Banco do Nordeste do Brasil (BNB) quaisquer recursos para
a empresa Engevix, nem pratiquei ato de natureza imprópria junto a qualquer
instituição. Tenho a consciência tranquila de que nunca me beneficiei de
recurso público, razão pela qual manifesto meu repúdio a todas as acusações”,
disse. “Essa acusação, oriunda de um personagem sem credibilidade, encaro com
grande revolta, mas também como oportunidade de provar minha inocência. E é isso
que farei. Tenho como grande aliado o povo que me concedeu mandato, o qual
honro diariamente com muito trabalho”, completou.
Veja.com

0 comentários:
Postar um comentário
Obrigado pelo seu comentario.
Fique sempre ligado do que acontece em nossa cidade!