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A deputada
federal Clarissa Garotinho (PRB-RJ) e o prefeito eleito
do Rio,
Marcelo Crivella, durante a campanha eleitoral
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Pablo Jacob/27-10-2016 / Agência O Globo
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Ex-governador menciona negociação
com prefeito eleito do Rio para dar lugar a Clarissa
Uma gravação telefônica
interceptada pela Polícia Federal no dia seguinte à eleição de Marcelo Crivella
(PRB) à prefeitura do Rio mostra a expectativa do ex-governador Anthony
Garotinho de que a filha, a deputada federal Clarissa Garotinho (PRB-RJ), seja
nomeada no governo. Na conversa, o ex-governador cita um acordo com o então candidato
do PRB, hoje prefeito eleito, para que Clarissa comandasse o Desenvolvimento
Social. Segundo interlocutores de Crivella, ela terá mesmo espaço, mas será
titular da Secretaria de Trabalho. Durante a campanha, Crivella negou a
negociação de cargos com Garotinho e tentou mostrar distanciamento do aliado.
Garotinho classificou a Secretaria
de Desenvolvimento Social de “operacional”, importante para montar uma base
para seu grupo político. Em outro trecho, o ex-governador demonstra interesse
de concorrer ao Senado em 2018. A conversa foi gravada no dia 31 de outubro,
com autorização da Justiça, e integra os autos do processo da Operação
Chequinho. Garotinho fala com um interlocutor identificado como Cleiton de
Souza, assessor parlamentar do prefeito eleito de Nova Iguaçu, Rogério Lisboa
(PR).
“Clarissa vai ser secretária,
provavelmente, o Crivella vai convidar ela (sic), de Ação Social
(Desenvolvimento Social) no Rio, pra montar nossa base. Será que não era melhor
para você (Cleiton), ao invés de cuidar de política, pegar uma secretaria
operacional, tipo essa assim, Ação Social?”, argumenta Garotinho.
Os dois conversam também a
respeito da futura formação da gestão em Nova Iguaçu, e Cleiton demonstra
interesse em ocupar a Secretaria de Governo, por ser a pasta responsável,
segundo ele, por “operar” todas as outras. Em outro trecho, Garotinho volta a
tratar da indicação de Clarissa para o governo Crivella.
Garotinho fala de Crivella
“Minha preocupação, por exemplo, é que, porra,
vamos lá que o Crivella cumpra (o acordo) e dê a Secretaria de Ação Social
(para Clarissa)”, diz o ex-governador.
“Vai dar, vai dar, vai dar”,
responde Cleiton.
“Vai dar, né? Ele vai dar?”, insiste
Garotinho.
“Ah, acho que vai, claro”, afirma
o aliado.
“Então, aí Clarissa pode montar um
programaço, aproveitar aquele povo todo nosso na Zona Oeste, nosso colegas nas
comunidades que estão tudo (sic) aí entregues às baratas, sofrendo e tal”,
reforça o ex-governador.
Em novembro, Garotinho foi preso,
acusado de coagir testemunhas e obstruir o trabalho da PF, em investigação
sobre uso irregular de recursos de um programa social de Campos. Garotinho, que
foi solto por decisão do TSE, nega as acusações e se diz vítima de perseguição.
DE OLHO NO SENADO
Presidente estadual do PR, o
ex-governador Anthony Garotinho se articula internamente para manter o comando
do partido e almeja uma candidatura ao Senado em 2018. A participação da filha,
a deputada federal Clarissa Garotinho (PRB-RJ), no futuro governo de Marcelo
Crivella é um fator importante no xadrez político. Na conversa interceptada
pela Polícia Federal, Garotinho mostra preocupação em deixar claro para o
comando nacional do partido que a legenda teve um bom desempenho no estado nas
eleições municipais. Uma das possibilidades avaliadas pelo comando da sigla é
um convite ao deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ), o que esvaziaria o
poder do ex-governador.
“O Valdemar já devia ter me
ligado. Ele não me deu um telefonema até agora. Então o que eu acho? Os
prefeitos eleitos, porque qual era o papo que estava rodando? “Porra, perdemos
tudo, perdemos São Gonçalo, perdemos Campos". Nós crescemos no estado,
fizemos mais vereador, fizemos mais... Se você somar São João de Meriti com
Nova Iguaçu, é maior que São Gonçalo”, argumenta o ex-governador com Cleiton de
Souza Rodrigues, assessor do PR na Assembleia do Rio (Alerj).
GAROTINHO: “DENTRO DA LEI”
O Valdemar citado é o ex-deputado
federal Valdemar Costa Neto, que, mesmo não ocupando formalmente a presidência
da legenda, exerce grande influência. Em outro momento, o aliado diz a
Garotinho que o grupo político precisa montar uma “base forte” na Baixada
Fluminense
Clarissa se filiou ao PRB, a
convite do prefeito eleito do Rio, Marcelo Crivella, após ter sido expulsa do
PR por ter contrariado a orientação do partido e votado a favor da Proposta de
Emenda Constitucional (PEC) que estipula um teto para os gastos do governo
federal durante vinte anos. Antes de ser anunciada, Clarissa dissera ao GLOBO
que havia sido sondada e que não via nenhum problema em ocupar um cargo na
prefeitura.
— Eu o apoiei (a Crivella). Fui
responsável por mais que dobrar o tempo de televisão. Se ele me convidar, não
haverá nada de estranho. A campanha inteira, ele (Crivella) disse que comigo
ele tinha uma excelente relação — disse a deputada.
Em nota, Garotinho lamentou a
divulgação de gravações que “não dizem respeito ao processo” e destacou que
“trata-se de uma conversa normal e natural, envolvendo articulações políticas,
tudo dentro da legalidade”. Antes do anúncio de Clarissa, Crivella negara, via
assessoria, o acordo com o ex-governador e ressaltara que o secretariado ainda não
estava definido.
Agência O Globo

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