A fome insaciável da Odebrecht na compra de poder pelo mundo | Rio das Ostras Jornal

A fome insaciável da Odebrecht na compra de poder pelo mundo

© Paulo Whitaker / Reuters A man walks behind an Odebrecht placard
in front of the headquarters of Odebrecht SA in Sao Paulo, Brazil,
 March 22, 2016. REUTERS/Paulo Whitaker
A Odebrecht extrapolou as fronteiras brasileiras na corrupção em sua trilha para a conseguir ampliar seus projetos mundo afora. Foram R$ 2,6 bilhões em propinas pagas em 12 países distintos, incluindo Brasil, Angola, Argentina, Colômbia, República Dominicana, Equador, Guatemala, México, Moçambique, Panamá, Peru e Venezuela. A propina a agentes políticos brasileiros chega a R$ 1,9 bilhão. Nas contas não entram os valores pagos pela Braskem, subsidiária da Odebrecht no ramo petroquímico.
O motivo: Mais de 100 projetos num esquema que funcionou entre 2001 e 2016. Em troca das propinas, a empreiteira obteve ao menos R$ 12 bilhões em benefícios com contratos nesses países. As informações surgiram após um documento do Departamento de Justiça (DoJ) dos Estados Unidos ter se tornado público nesta quarta-feira (21).
Em nota oficial, as desculpas: "[A Odebrecht] se arrepende profundamente da sua participação nas condutas que levaram a este acordo e pede desculpas por violar os seus próprios princípios de honestidade e ética".
Além das desculpas, a empresa se comprometeu a pagar multa de R$ 8,5 bilhões para que sejam suspensas todas ações que envolvem a empreiteira e a Braskem, uma das empresas do grupo.
No acordo de delação internacional, a empresa fundada na Bahia aceitou submeter-se a um monitor externo e independente por um período de até três anos.
Segundo os EUA, são os seguintes os países e valores: em Angola a Odebrecht teria pago em propinas US$ 50 milhões entre 2006 e 2013 por contratos no valor de R$ 261,7 milhões; no Brasil, US$ 599 milhões entre 2003 e 2016 (incluindo a Braskem); na Argentina, US$ 35 milhões por contratos de US$ 278 milhões no período 2007-2014; na Colômbia, US$ 11 milhões entre 2009 e 2014 por contratos no valor de US$ 50 milhões; na República Dominicana, US$ 92 milhões por contratos de US$ 163 milhões de 2001 a 2014; no Equador, US$ 33,5 milhões foram pagos de 2007 a 2016 por contratos de US$ 116 milhões; na Guatemala, US$ 18 milhões de 2013 a 2015 por contratos de US$ 34 milhões; no Moçambique, foram pagos US$ 900 mil de 2011 a 2014; no Panamá, US$ 59 milhões de 2010 a 2014 por contratos de US$ 175 milhões; no Peru, propinas de US$ 29 milhões entre 2005 e 2014 em relação a contratos de US$ 143 milhões; na Venezuela, propinas de US$ 98 milhões de 2006 a 2015; no México, propinas de US$ 10,5 milhões entre 2010 e 2014 por US$ 39 milhões em contratos.
A empresa brasileira, que tem se tornado o coração da Operação Lava Jato, também teria criado uma versão internacional da Divisão das Operações Estruturadas, o braço criado pela Odebrecht para pagar propinas em diversos contratos, de acordo com as investigações brasileiras.
Ainda, segundo a Folha, os detalhes das operações:
"S & N foi usada pela Odebrecht para levar adiante o esquema de propinas, esconder e disfarçar pagamentos impróprios feito em benefício de servidores públicos estrangeiros e partido político estrangeiros em vários países", afirma o documento do DOJ.
"Os acordos de leniência e de colaboração premiada firmados ao longo dos dois últimos anos pela força-tarefa da operação Lava Jato foram essenciais para a expansão das investigações e o desvelamento do maior esquema de corrupção já investigado no Brasil. Possibilitaram ainda o ressarcimento de prejuízos causados aos cofres públicos em cifras recordes, que se encontram dentre as maiores em acordos da espécie no mundo", diz nota do MPF.
Delação
Além do acordo de leniência, executivos da Odebrecht assinaram acordo de delação premiada no qual foram citados nomes de políticos para quem a empresa fez doações de campanha, que teriam origem ilícita. Os depoimentos foram enviados na segunda-feira (19) ao Supremo Tribunal Federal para homologação.

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