Por um valor que seria quase o
mesmo que foi pago à desconhecida Lamia, dona do avião que caiu na madrugada
desta segunda-feira nas proximidades de Medellín, a Chapecoense esteve diante
da possibilidade de contratar um avião maior e mais seguro para a viagem que
acabou em tragédia.
VEJA apurou que a diretoria do
clube catarinense chegou a fazer um orçamento para fretar um avião da companhia
brasileira Gol – e recebeu uma oferta que não ficava muito distante dos 130 000
dólares negociados com a boliviana Lamia.
Não está clara, até o momento, a
razão pela qual os dirigentes optaram pela empresa da Bolívia. Sabe-se que os
serviços da companhia, cujo proprietário pilotava o avião acidentado, eram
frequentemente indicados pela Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol)
aos clubes que participam das competições organizadas pela entidade.
Além da Gol, a Chapecoense orçou a
viagem com uma companhia argentina. As alternativas poderiam ter feito a
diferença. Se os dirigentes tivessem optado pela Gol, por exemplo, o voo
provavelmente seria feito por um Boeing 737 – uma aeronave indiscutivelmente
mais segura e com autonomia de voo muito maior que a do Avro RJ-85 operado pela
Lamia.
Com uma aeronave de maior porte, a
delegação da Chapecoense poderia ter feito um voo direto do Brasil até
Medellín.
A opção pela Lamia acabou
obrigando o clube a improvisar uma logística complicada para a viagem. Por
causa de normas internacionais seguidas pela Anac, a autoridade de voo
brasileira, uma empresa boliviana não poderia voar do Brasil para Colômbia – o
voo, pelas regras, tinha que ser feito por uma companhia do país de origem ou
do país de destino. Para se ajustar às normas, a delegação teve de seguir em um
voo comercial para Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, para só lá embarcar no
avião fretado da Lamia rumo a Medellín, na viagem que nunca acabou.
O prefeito de Chapecó, Luciano Buligon, confirmou que a diretoria do clube cotou o fretamento com outras companhias aéreas. “Depois do acidente, o presidente do conselho da Chapecoense me disse que o clube tinha cotado (o fretamento) com uma companhia argentina e com a companhia brasileira, mas acho que tudo isso é pequeno diante do que aconteceu”, afirmou. O prefeito, que faria a viagem junto com a equipe mas de última hora resolveu mudar os planos, disse desconhecer por que o clube optou pela empresa boliviana. Procurada, a Gol respondeu que “não se pronuncia sobre propostas comerciais”.
Veja.com

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