Depoimento do ex-senador Delcídio
do Amaral foi marcado por interrupções e embate entre os defensores do
ex-presidente e o magistrado
O depoimento do ex-senador
Delcídio do Amaral como testemunha no processo contra o ex-presidente Lula,
nesta segunda-feira, entrou para a história da Operação Lava Jato como a
primeira vez em que o juiz federal Sergio Moro gritou em uma audiência. Depois
de dois anos e meio de rotineiras oitivas na 13ª Vara Federal de Curitiba, o
magistrado se irritou com as sucessivas questões de ordem pedidas pela defesa
de Lula enquanto o Ministério Público Federal e ele próprio questionavam
Delcídio.
Após as perguntas da defesa de
Lula e o início dos “esclarecimentos do juízo”, como diz Moro, os advogados do
petista passaram a reclamar que as questões do juiz e as respostas de Delcídio
do Amaral abordariam pontos fora do processo e, assim, demandariam novas
perguntas pela defesa.
Cristiano Zanin Martins, Roberto
Teixeira, Jair Cirino dos Santos, José Roberto Batochio e Juarez Cirino dos
Santos representaram Lula e a ex-primeira-dama Marisa Letícia diante de Sergio
Moro.
Quando o magistrado questionou o
ex-senador sobre a mudança na lógica de indicações à diretoria da Petrobras a
partir do enfraquecimento do governo Lula no mensalão, um dos advogados do
ex-presidente o interrompeu e, então, travou-se o seguinte diálogo:
Advogado de Lula: Eu sou obrigado
a pedir de novo uma questão de ordem. A questão é muito simples, Vossa
Excelência está violando o princípio da ampla defesa, está perguntando à
testemunha sobre fatos que não foram objeto da inquirição de hoje e está daí
criando a necessidade de novas perguntas por parte da defesa, se vossa
excelência permitir, senão fica um desequilíbrio no processo.
Sergio Moro: Tem uma ordem legal,
doutor, de oitiva, primeiro Ministério Público, depois defesa e esclarecimentos
do juízo.
Advogado de Lula: Mas o juízo só
pergunta sobre questões que forem objeto da inquirição e pontos não
esclarecidos
Sergio Moro: [levantando a
voz] Essa é a posição do juízo, doutor. Neste caso, é o que estou
fazendo.
Advogado de Lula: Mas não é a
posição do código de processo, é uma coisa que o senhor não pode fazer
Sergio Moro: Como eu presido essa
audiência, então eu entendo que eu posso fazer na minha interpretação.
Advogado de Lula: Então fica o
protesto da defesa contra o comportamento de Vossa Excelência, que viola o
código de processo penal.
Sergio Moro: Na sua interpretação,
doutor. Na interpretação correta do código, o juiz pode fazer…
Advogado de Lula: Na interpretação
de todos que trabalham com processo penal. Somos professores de processo penal.
Sergio Moro: Tá ótimo então, eu
vou seguir com minhas indagações aqui, se a defesa permitir, evidentemente…

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