Para Luís
Roberto Barroso, responsabilidade fiscal 'não tem ideologia'. Senadores também
queriam que a Corte arquivasse a proposta.
O ministro
Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou nesta
terça-feira (23) pedido de senadores de oposição para suspender a tramitação da
Proposta de Emenda à Constituição que estabelece um limite para os gastos
públicos pelos próximos 20 anos.
O magistrado
considerou que o Judiciário só pode interferir nas discussões do Congresso em
situação "excepcional", que coloque em risco cláusulas pétreas da
Constituição, como a separação de poderes, por exemplo, o que, para ele, não se
demonstrou no caso.
Além da
suspensão do andamento da PEC, os parlamentares também queriam que o STF
arquivasse a proposta, mas essa medida ainda deverá ser analisada pelo plenário
da Corte. O pedido é assinado pelos senadores Humberto Costa (PT-PE), Lindbergh
Farias (PT-RJ) e Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM).
Na ação, os
parlamentares argumentaram que a PEC fere a independência entre os poderes
porque impõe um "congelamento" nos orçamentos de órgãos ligados ao
Legislativo e ao Judiciário. Além disso, afirmam que a PEC comprometerá
investimentos em saúde, educação e segurança pública.
Em sua
decisão, Barroso defende o equilíbrio fiscal, objetivo da proposta do governo.
"A
responsabilidade fiscal é fundamento das economias saudáveis, e não tem
ideologia. Desrespeitá-la significa predeterminar o futuro com déficits,
inflação, juros altos, desemprego e todas as consequências negativas que dessas
disfunções advêm", escreveu o ministro.
Em outubro,
Barroso já havia negado pedido semelhante de deputados.
Tramitação
A PEC já foi
aprovada pela Câmara dos Deputados e pela Comissão de Constituição e Justiça do
Senado.
Para virar
lei, contudo, ainda precisa passar por duas votações no plenário do Senado,
previstas para o próximo dia 29 e para 13 de dezembro.
A PEC
estabelece que os gastos da União (Executivo, Legislativo e Judiciário) só
poderão crescer conforme a inflação do ano anterior, pelas próximas duas
décadas.
Se um poder
não respeitar esse teto, a PEC prevê sanções, como a proibição de concursos
públicos e aumentos a servidores.
Inicialmente,
os investimentos em saúde e educação também estavam incluídos no limite de
gastos, mas, diante da repercussão negativa da proposta e da pressão de
parlamentares da base aliada, o governo concordou em fazer com que o teto para
essas duas áreas só passe a valer a partir de 2018.
Do G1, em Brasília

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