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Delação
confirma a tese de que a propina em contratos
da Petrobrás
eram "regra do jogo."
Antônio
More/Agência de Notícias Gazeta do Povo
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Em 2 anos e 8 meses de investigações
da força-tarefa, foram 250 denunciados em 54 ações penais
Em fase de conclusão com a
Procuradoria-Geral da República (PGR), a delação premiada de executivos da
Odebrecht vai ampliar significativamente o volume de trabalho da Operação Lava
Jato. A avaliação é de investigadores, advogados e profissionais com acesso às
negociações com a empreiteira. Eles estimam que o número de inquéritos, agentes
e empresas sob suspeita, além de valores desviados, mais que dobre em relação
aos apresentados até agora.
Em 2 anos e 8 meses de
investigações da força-tarefa, foram 250 denunciados em 54 ações penais, dos
quais 82 já condenados a mais de mil anos de prisão, e R$ 6,4 bilhões de
propina identificados no esquema de formação de cartel, desvios e corrupção na
Petrobras. A delação da maior empreiteira do País vai revelar a atuação de
empresas, políticos, partidos e agentes públicos em esquemas de corrupção e
lavagem de dinheiro em negócios com o governo federal ainda desconhecidos pela
Justiça.
Obras de aeroportos, rodovias,
metrôs, usinas de energia, estádios da Copa, contratos nos setores petroquímico,
de saneamento, de defesa, negócios com fundos de pensão e operações com o Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vão dar nova dimensão ao
escândalo da Petrobrás, avaliam profissionais com acesso às negociações.
Contratos da Petrobras em áreas
que ainda não foram alvo ou não tiveram aprofundamento nas investigações, como
os de exploração e produção de petróleo e também de gás natural, devem
permanecer nos inquéritos de Curitiba, sob a guarda do juiz federal Sérgio
Moro. São todos negócios citados nas tratativas da delação da Odebrecht.
Petroquímica
Outro setor importante que entrará
no foco de atuação da Lava Jato é o de petroquímica. Os negócios da Braskem,
maior empresa da área na América Latina, formada em sociedade entre Odebrecht e
Petrobras, serão o centro dessa nova frente de apuração dos investigadores da
capital paranaense.
Nos anexos apresentados pelos
advogados da construtora, os executivos confirmam que a Braskem foi uma das principais
unidades do grupo a colocar dinheiro no caixa do Setor de Operações
Estruturadas - o "departamento da propina".
Os delatores já confessaram que o
setor funcionava dentro do organograma da empreiteira para efetuar lavagem de
recursos e pagamento de propinas e caixa 2 para políticos e também agentes
públicos.
Pelo País
A mais longa e difícil das 70
delações da Lava Jato fechadas em dois anos e oito meses de investigações
resultará em inquéritos e processos também em outros Estados. Com a decisão do
Supremo Tribunal Federal (STF), do início deste ano, de que crimes cometidos
fora da Petrobras seriam remetidos para os Estados de origem do delito, a
previsão é de que novas forças-tarefa exclusivas e integradas pelas três
instituições sejam reproduzidas em outros localidades do País, como já ocorre
no Rio.
O Estado apurou com envolvidos nas
negociações que o conteúdo das revelações do presidente afastado do grupo,
Marcelo Odebrecht - preso em Curitiba desde junho do ano passado -, e de seus
subordinados na delação confirma a tese da denúncia feita contra o
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que a sistemática de desvios e
pagamento de propina descoberta na Petrobras foi "profissionalizada"
e virou a "regra do jogo" nos contratos assinados entre empresas e
governo federal.
Iniciada em março de 2014, a
força-tarefa já mirou em negócios da Petrobrás que somam R$ 200 bilhões. Os
principais focos foram contratos nos governos Lula e Dilma Rousseff entre 2004
e 2014.

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