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O ex-ditador
cubano Fidel Castro, olha para a multidão durante
manifestação em Córdoba, na Argentina, em
julho de 2006
(Andres
Stapff/Reuters)
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Nas rádios, o reggaeton foi
substituído por música clássica
Os cubanos terão, ao todo, nove
dias de luto pela morte do ditador Fidel Castro. Mas, como tudo na ilha, o
governo impôs as medidas sobre como fazê-lo e a população está obrigada a
acatá-las. Está proibido ouvir música em volume alto. Os bares e restaurantes
foram obrigados a cancelar apresentações de música ao vivo e até um concerto de
Plácido Domingo foi cancelado.
Nas ruas, a proibição sonora é
sustentada de duas formas. A primeira é com a polícia. No antes elegante e hoje
decrépito bairro de Vedado, um policial chegou a obrigar um garoto a tirar os
fones de ouvido. A segunda forma é por meio dos Comitês de Defesa da Revolução
(CDRs), que se encarregam de espionar, dedar e punir os vizinhos.
Os membros dos CDRs foram avisados
de que devem tocar na casa de qualquer um ouvindo som alto e pedir para
desligarem o barulho. Os CDRs também estão nas ruas para impedir que pessoas
andem com bebida alcoólica na mão. Só se pode beber cerveja ou vinho dentro de
casa (e em silêncio).
Os locais para turistas cancelaram
os shows de música, mas seria impossível proibi-los de beber. Nenhum deles
parece se contentar com um único mojito — algo que é aceito pelos cubanos. Nos
prédios públicos, as bandeiras de Cuba estão hasteadas a meio-pau.
Cuba só tem cinco canais de
televisão. Desde a morte de Fidel, todos transmitem a mesma programação em rede
nacional. Todos os programas culturais e novelas (eles adoram as brasileiras)
foram suspensos. A programação televisiva no domingo, 27, era uma repetição da
de sábado e se constituía em uma quase eterna mesa-redonda em que convidados
debatiam a importância do ditador falecido.
Nas rádios, as canções de
reggaeton, ritmo malicioso amado pelos cubanos, foram suprimidas. Por nove
dias, só se escutará música clássica. Todos os jornais estatais só estão sendo
impressos em preto e branco. Assim, o Granmaperdeu sua
característica cor laranja e o Juventud Rebelde, o azul. Tendo em vista que os
cubanos usam o jornal como papel higiênico, dá para imaginar até onde vai a
imposição do luto oficial.
Por Reportagem de Veja, de Havana

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