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Cláudia Cruz
e o marido (VEJA.com/VEJA)
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Trata-se da última etapa antes de
o juiz ouvir as alegações finais das defesas e da acusação - fase precursora da
sentença
O juiz Sergio Moro marcou a data
do interrogatório da mulher do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB),
Cláudia Cruz, para se explicar sobre as acusações da Lava Jato de que teria
lavado dinheiro e evadido cerca de 1 milhão de dólares por meio de contas
secretas no exterior abastecidas por seu marido com dinheiro da corrupção na
Petrobras. A decisão foi tomada na segunda e tornada pública nesta terça-feira.
Moro agendou o interrogatório de
Cláudia e do empresário Idalécio de Oliveira, também réu na ação, para o dia 14
de novembro, seis meses depois de o juiz da Lava Jato aceitar a denuncia contra
a mulher de Cunha. Antes, no dia 9, serão interrogados o ex-diretor
Internacional da Petrobras Jorge Luiz Zelada e o lobista João Augusto Rezende
Henriques, apontado como operador do PMDB no esquema de corrupção na Petrobras.
Ambos também são réus na mesma ação de Cláudia.
O interrogatório é a última etapa
antes de o juiz ouvir as alegações finais das defesas e da acusação, últimos
argumentos apresentados para o julgamento. Nele os réus ficarão frente a frente
com Moro e poderão responder a todas as acusações do Ministério Público
Federal. Caso queiram, eles também poderão exercer o direito de permanecer em
silêncio. A última testemunha da defesa de Cláudia a ser ouvida antes do
interrogatório é o deputado Jovair Arantes (PTB-GO) que vai depor nesta
quarta-feira.
Além disso, Cláudia arrolou várias
testemunhas que residem no exterior, que já foram intimadas via carta
precatória. Nestes casos, porém, o juiz da Lava Jato entendeu que não é
necessário aguardar a cooperação de outros países para dar continuidade ao
processo.
Investigação
Na ação contra a mulher de Cunha,
a Procuradoria da República aponta que o ex-deputado teria recebido propina de
US$ 1,5 milhão para “viabilizar” a aquisição, pela Petrobras, de 50% do bloco 4
de um campo de exploração de petróleo na costa do Benin, na África, em 2011. O
negócio foi tocado pela Diretoria Internacional da estatal, apontada como braço
do PMDB no esquema de loteamento da Petrobras.
Desse valor, 1 milhão de dólares
foram repassados para a offshore Kopek, que segundo a Lava Jato tem Cláudia
Cruz como única controladora. Com apoio do Ministério Público da Suíça, a Lava
Jato rastreou os recursos que aportaram na conta de Cláudia e identificou que
eles foram utilizados, por exemplo, para pagar compras de luxo feitas com
cartões de crédito no exterior.
Parte dos gastos dos cartões de
crédito, que totalizaram 854.387,31 dólares, foi utilizada, dentre outras
coisas, para aquisição de artigos de grife, como bolsas, sapatos e roupas
femininas. Outra parte dos recursos foi destinada para despesas pessoais
diversas da família de Cunha, entre elas o pagamento de empresas educacionais
responsáveis pelos estudos dos filhos do deputado afastado, como a Malvern
College (Inglaterra) e a IMG Academies LLP (Estados Unidos).
Cláudia ainda teria mantido,
segundo a denúncia, depósitos não declarados às repartições federais na
offshore Köpek em montante superior a 100.000 dólares entre os anos de 2009 e
2014, o que constitui crime contra o sistema financeiro nacional.
(Com Estadão Conteúdo)

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