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Rio Oil & Gás é maior feira do setor na
América Latina (Foto: Daniel Silveira/G1)
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Apenas 540
empresas tem estandes na feira, contra 1,3 mil há dois anos. Rio Oil &
Gas é o maior evento do setor de energia na América Latina.
Do G1 no Rio
Considerada a
maior feira do setor de energia da América Latina, a Rio Oil & Gas, reflete
os impactos da crise no ramo do petróleo. O número de expositores da feira
realizada nesta semana no Rio de Janeiro caiu pela metade em relação à última
edição do evento, em 2014. Apesar do cenário de enfraquecimento, empresas que
marcam presença na feira se dizem otimistas com as perspectivas do setor.
Há dois anos,
cerca de 1,3 mil empresas participaram da exposição, enquanto na edição atual
são apenas 540. Naquele ano, havia empresários de 31 países contra 22 desta
vez. O número de congressistas também caiu, de 3,8 mil para 3 mil. E o espaço
da feira também foi reduzido de quatro para três pavilhões ocupados no
Riocentro.
O
secretário-geral do Instituto Brasileiro do Petróleo, Gás e Biocombustíveis
(IBP), Milton Costa Filho, admitiu que o tamanho da feira foi reduzido em
função da crise no setor. Sem citar nomes, ele disse que grandes empresas do
ramo petroleiro deixaram de participar “por causa do corte de custos”.
“Isso é o reflexo da crise no setor, não só no
de petróleo e gás, já que essa crise é mundial. Todos os grandes eventos
mundiais no setor de energia vêm sofrendo uma retração desde que o setor
começou a ser impactado pelo preço do barril do petróleo”, disse.
O preço do
petróleo caiu 35% em 2015 e atingiu valores abaixo de US$ 30 o barril no início
de 2016, pela primeira vez desde 2004. Aos poucos, os valores estão se
recuperando e tem oscilado em torno de US$ 50, mas ainda estão muito abaixo do
patamar de US$ 100 barril registrado no passado.
Além da queda
internacional do preço do petróleo, o mercado brasileiro de óleo e gás também
sentiu a crise da Petrobrás, um dos alvos da operação Lava Jato. Endividada, a
companhia está executando um plano de venda de ativos e cortou investimentos
previstos.
Otimismo de quem veio
Entre os que
vieram à feira, no entanto, o clima é de otimismo. Alessandro Moraes, diretor
de negócios de infraestrutura da Dow para a América Latina, concorda que a
crise do petróleo está arrefecendo. “A velocidade com que ela está passando
varia de percepção para percepção. Não resta dúvida que essa indústria que está
sofrendo mundialmente, mas ela vai se retomar em breve”, disse.
Veterana, a Dow
oferece produtos químicos para a indústria do petróleo e gás em todas as etapas
da cadeia, da exploração ao refino. “A gente está no Brasil e na América Latina
há 60 anos então a gente já viu outras crises no passado e a gente viu o
mercado sempre retomando, e dessa vez não vai ser diferente”, afirmou Moraes.
A Master
Automação, que oferece locação de equipamentos para o setor de óleo e gás,
participa pela primeira vez da feira. A intenção é prospectar clientes, diz o
sócio-diretor da empresa, Carlos Lemoigne.
A empresa
entrou no mercado em 2013, quando a setor ainda estava em alta e tinha um plano
ambicioso de crescimento. “Entramos na crista da onda e logo veio a crise”,
lembra Lomoigne. Para sobreviver, a empresa pisou no freio e adiou os
investimentos. “Queríamos investir acima
de R$ 3 milhões por ano. Conseguimos manter nos primeiros anos. Mas este ano o
investimento praticamente zero”, disse Lemoigne. A empresa aguarda a crise
passar para retomar os planos de expansão.
Outra novata na
feira é a Aquamec, de soluções de saneamento, que tenta conquistar clientes na
indústria de óleo e gás. “Não deve demorar muito para o setor começar a sair da
crise. Somos novos. Mas a ideia é aparecer para o mercado num momento de crise,
que é quando você encontra as oportunidades”, disse o diretor executivo Marco
Formicola.
Diversificação
Questionados
sobre o projeto que desobriga a Petrobras de participar de leilões e ser a
exploradora exclusiva da camada do pré-sal, os empresários ouvidos pelo G1
dizem apoiar a medida.
Para Alessandro
Moraes, a medida proposta pelo governo é um dos caminhos para o setor sair da
crise. “Isso [a desregulamentação] ajuda a todo mundo. A concorrência sadia é
importante para todo mundo se desenvolver”, avaliou.
Segundo o
secretário-geral do IBP, Milton Costa Filho estão crescendo as oportunidades de
negócios no setor petroleiro no Brasil. Além de uma eventual mudança da lei do
pré-sal, Filho diz que o plano de desinvestimento da Petrobras também abre
oportunidades para o setor.
“Essas empresas [que vão comprar ativos da
estatal] virão para ficar não só com aqueles ativos, mas para expandir os seus
negócios.”, pontuou Filho.
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