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O ex-ministro Antonio Palocci
Filho se preparava para ser preso há quatro dias. Desde que viu seu sucessor no
Ministério da Fazenda, Guido Mantega, ter a prisão temporária decretada, na
manhã de quinta-feira (22), admitiu entre amigos que deveria ser ele o próximo
alvo da Lava Jato.
A tese inicial de Palocci, porém,
não era a de prisão. Acreditava que, depois que Odebrecht começou as tratativas
para fechar acordo de delação premiada, em maio, a Polícia Federal o levaria
para depor coercitivamente. A partir de então, reduziu seus trabalhos na
consultoria e correu para traçar sua defesa.
Passou a se reunir semanalmente
com seu advogado, o criminalista José Roberto Batochio, e negava as acusações.
Mesmo aos mais próximos, Palocci dizia com veemência que não era ele o
"italiano", apelido que figura em planilhas de pagamentos de propina
apreendidos com executivos da Odebrecht. Apesar disso, reconhecia que tinha bom
relacionamento com a família dona da empreiteira.
Aos investigadores, seguirá essa
linha e usará, segundo a reportagem apurou, e-mail escrito em 2010 pelo
ex-presidente da construtora Marcelo Odebrecht dizendo que o "Italiano não
estava na diplomação", referência à cerimônia em que Dilma Rousseff foi
reconhecida como presidente eleita, em 17 de dezembro de 2010. Palocci vai
dizer que estava no evento e que isso pode ser comprovado com fotos da época.
Com 55 anos, Palocci foi o grande
articulador entre os empresários e o PT durante os governo de Luiz Inácio Lula
da Silva e Dilma Rousseff e era considerado homem de confiança de Lula. Era
quem fazia a ponte do empresariado com os hoje ex-presidentes e foi um dos
principais formuladores da política econômica da era petista.
Ex-colegas de Esplanada dizem que
Palocci foi o último contraponto de Dilma. Como seu ministro da Casa Civil, era
quem dava opinião sobre diversas áreas do governo e rebatia a então presidente.
Depois dele, a petista se cercou apenas de quem concordava ou dizia que
concordava com suas ideias e, segundo aliados, a falta de contraditório foi uma
das razões que a fez perder a capacidade de governar e, consequentemente, o
mandato.
Nunca deixou de aconselhar Lula e
até pouco tempo era frequentador do instituto que leva o nome do ex-presidente
para reuniões sobre a conjuntura econômica, principalmente durante a crise que
acometeu o governo Dilma.
FIADOR
Palocci era formado em medicina,
foi vereador, deputado estadual, deputado federal e prefeito de Ribeirão Preto.
Aprendeu a circular entre os empresários e, como primeiro ministro da Fazenda
de Lula, em 2003, idealizou a Carta ao Povo Brasileiro, que deu segurança para
os pesos-pesados do PIB (Produto Interno Bruto) apoiarem o petista logo na
largada.
Sua primeira queda foi em março de
2006, quando deixou o Ministério da Fazenda de Lula após ser acusado pelo
caseiro Francenildo Costa de frequentar uma casa mantida por lobistas e
conhecida em Brasília como "República de Ribeirão Preto". O caseiro
teve seu sigilo bancário quebrado e os dados divulgados na tentativa de
desqualificar seu depoimento. Palocci dizia que Francenildo havia sido
subornado por opositores ao PT.
O ex-ministro foi reabilitado
politicamente -e publicamente- pelo PT na campanha que elegeu Dilma pela
primeira vez ao Planalto. Em 2010, era um dos "três porquinhos",
apelido dado a ele, José Eduardo Dutra, então presidente do partido, e José
Eduardo Cardozo, que compunham a linha de frente da petista.
Palocci coordenava a campanha e
fazia o primeiro contato com empresários para as doações eleitorais, mesma
atuação que teve nas duas campanhas presidenciais de Lula. Depois das reuniões
com Palocci, os doadores procuravam o tesoureiro da campanha e acertavam os
repasses.
A pedido de Lula, Dilma nomeou
Palocci seu ministro da Casa Civil em 2011, mas ele perdeu o cargo cinco meses
depois, em razão de consultorias prestadas a empresas, inclusive durante a
campanha de 2010.
Não divulgou seus clientes e o
aumento de 20 vezes de seu patrimônio tornou-se, segundo petistas,
"injustificável". "O erro de Palocci foi tentar voltar para a
vida pública depois de atuar no setor privado, como consultor. Isso nunca dá
certo", diz um de seus correligionários.
Nesta segunda-feira (26), Palocci
foi preso na 35ª fase da Lava Jato, em São Paulo, e levado a Curitiba.
Intitulada Omertà, a operação investiga indícios de uma relação criminosa entre
o ex-ministro e Odebrecht.
Segundo o juiz federal Sergio
Moro, há provas de que Palocci coordenou o repasse de propinas da empreiteira
para o PT. Com informações da Folhapress.

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