O valor
corresponde ao plano da companhia para os próximos cinco anos e inclui previsão
de US$ 19,5 bilhões em vendas de ativos
A Petrobras
prevê investir 74,1 bilhões de dólares (242,5 bilhões de reais) entre 2017 e
2021, uma queda de 25% em relação ao Plano de Negócios e Gestão 2015-2019,
revisado em janeiro deste ano, informou nesta terça-feira a petroleira em
comunicado ao mercado. A empresa também prevê obter 19,5 bilhões de dólares
(63,8 bilhões de reais) em vendas de ativos – os chamados desinvestimentos – em
2017 e 2018.
Entre os
fatores que orientam o plano para os próximos anos, a Petrobras cita a queda do
preço do petróleo, os desafios regulatórios no país (como a exigência do
conteúdo nacional), o alto endividamento da empresa, a crise econômica e a Lava-Jato.
Analistas
ouvidos pela Reuters aguardavam investimentos até 2021 de cerca de cerca de 80
bilhões de dólares (261 bilhões de reais). A redução dos aportes é ainda maior
quando comparada com o plano de negócios da petroleira em 2014, de 220,6
bilhões de dólares (722 bilhões de reais) em cinco anos, quando a companhia
ainda não havia reportado perdas bilionárias pelo escândalo de corrupção e os
preços do petróleo estavam mais altos.
O último
plano, divulgado em junho de 2015, previa investimentos de 130 bilhões de
dólares (425,5 bilhões de reais) em cinco anos, sendo mais de 80% concentrados
na área de exploração e produção. Os números, entretanto, foram revistos duas
vezes, em função da queda das cotações de petróleo e da variação cambial do
período. Na última revisão, a previsão era de investimentos anuais na faixa de
20 bilhões de dólares (65,4 bilhões de reais)– cerca de 30% a menos do que a
previsão inicial. O plano apresentado nesta terça prevê 19,2 bilhões de dólares
(62,8 bilhões de reais) de investimentos por ano.
O plano
anterior, elaborado sob a gestão de Aldemir Bendine, previa “desinvestimentos e
reestruturações” de 42,6 bilhões de dólares (139,4 bilhões de reais) entre 2017
e 2018, mas não apresentava os projetos em reavaliação. Desde 2015, quando
foram negociados 4,6 bilhões de dólares (15 bilhões de reais). A companhia
ainda deve confirmar até o fim do mês a venda de participação na Nova Transportadora
Sudeste (NTS) por 5,2 bilhões de reais (17 bilhões de reais). A lista de ativos
à venda pela petroleira inclui ainda Liquigás e BR Distribuidora.
Os
desinvestimentos são apontados pelo presidente da estatal como a principal
alternativa para reduzir a dívida, atualmente na faixa de 120 bilhões de
dólares (392,7 bilhões de reais). Hoje, para cada 1 real gerado pela companhia,
há 5,3 reais comprometidos com o pagamento da dívida. A meta é reduzir à metade
o nível de comprometimento, chegando a 2,50 reais de dívida para cada 1 real de
caixa.
Pelo modelo
desenhado pela nova gestão, a petroleira vai definir metas para diversos
setores e níveis hierárquicos, e fará acompanhamento trimestral dos resultados.
Após as reavaliações, a empresa poderá rever a definição orçamentária para o
ano seguinte. A diretriz é inspirada no sistema de gestão adotado pela Ambev
desde a década de 1990.

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