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Marcos
Valério foi interrogado na Justiça Federal de Curitiba
nesta
segunda-feira (12) (Foto: Reprodução)
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Publicitário foi interrogado por Sérgio
Moro nesta segunda-feira (12). Ele é réu em ação penal oriunda da 27ª fase da
Operação Lava Jato.
"O [ex] ministro José Dirceu,
o [ex] presidente Lula e o senhor Gilberto Carvalho [ex-chefe de gabinete de
Lula] estavam sendo chantageados", declarou o publicitário Marcos Valério
em interrogatório prestado na tarde desta segunda-feira (12), em Curitiba, ao
juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato na
primeira instância. A declaração foi baseada em uma afirmação feita pelo
ex-secretário do Partido dos Trabalhadores (PT) Silvio Pereira, segundo o
publicitário.
Marcos Valério já foi condenado a
37 anos pelo mensalão do PT. Atualmente ele cumpre pena em regime fechado na
Penitenciária Nelson Hungria, em Minas Gerais. Na Lava Jato, ele responde por
lavagem de dinheiro, na ação penal originada a partir da 27ª fase da operação.
Outras oito pessoas respondem pelo mesmo crime neste processo, entre elas, o
ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e o empresário Ronan Maria Pinto.
O Ministério Público Federal (MPF)
os denunciou pela suposta participação em um esquema para lavar parte do
dinheiro de um empréstimo obtido pelo pecuarista José Carlos Bumlai. O
empresário pegou R$ 12 milhões do Banco Schahin, que, segundo ele, foram destinados
ao PT.
Os investigadores apuraram
indícios de que metade desse dinheiro foi destinado a Ronan Maria Pinto. O MPF
afirma que ele chantageou membros do PT, dizendo ter informações que ligavam
membros da legenda à morte do ex-prefeito de Santo André, o petista Celso
Daniel.
'Problema muito sério'
Em 2004, Marcos Valério disse ter
recebido um telefonema de Silvio Pereira. Eles se encontraram, e Silvio Pereira
relatou que havia um "problema muito sério": que o presidente estava
sendo chantageado por uma pessoa, que estava exigindo R$ 6 milhões. Esta pessoa
era o empresário Ronan Maria Pinto, segundo o relato de Marcos Valério à
Justiça Federal.
Marcos Valério contou que o pedido
de Silvio Pereira era para que o dinheiro fosse passado a empresa de ônibus de
Ronan, a Viação Santo André. Depois do encontro com Silvio Pereira, Marcos
Valério disse que foi conversar com José Janene, ex-deputado do Partido
Progressista (PP) que morreu em 2010. Janene teria dito a Marcos Valério que
resolveria a questão.
De acordo com Marcos Valério,
Janene preparou os documentos para a transferência do recurso da empresa de
Marcos Valério, a 2 S Participações Ltda, para uma empresa chamada Remar
Assessoria, do Rio de Janeiro. "Assinei realmente os contratos e fiquei de
transferir o recurso para essa Remar através de transferência eletrônica",
afirmou. Ele ainda disse que não conhecia a Remar, nem sabia quem era o dono da
empresa. A Remar, segundo Marcos Valério, iria transferir o valor para a Viação
Santo André.
'O que eu fiquei sabendo não me
agradou'
Marcos Valério contou que, depois
disso, foi a Brasília e começou a sondar quem era Ronan Maria Pinto. "O
que eu fiquei sabendo não me agradou". Questionado por um procurador do
MPF como descobriu quem era Ronan Maria Pinto, o publicitário respondeu que
"era muito sério"” e que não queria se envolver. Inclusive, Marcos
Valério pediu para não responder à pergunta: "porque é um assunto muito
grave e eu não quero correr risco". Ele lembrou estar detido em uma
penitenciária e negou ter recebido recursos para não falar sobre o tema.
Após descobrir quem era Ronan
Maria Pinto, Marcos Valério disse que chamou Silvio Pereira, na capital
federal, para saber "essa história toda". Marcos Valério contou ter
chamado Silvio Pereira de maluco e que não faria a transferência. "Me
inclua fora disso", pediu Marcos Valério ao ex-secretário do PT. Após esse encontro com Silvio Pereira, Marcos
Valério relatou não ter mais informações sobre a transação.
Marcos Valério explicou que
conheceu Ronan Maria Pinto, em São Paulo, em um encontro com Silvio Pereira, o
jornalista Breno Altman, que também é réu nesta ação penal oriunda da Operação
Lava Jato. Segundo Marcos Valério, o assunto do encontro foi o empréstimo e a
intenção de Ronan de comprar metade do jornal "Diário do Grande ABC".
Marcos Valério disse que Breno Altman defendeu o empréstimo a Ronan Maria
Pinto.
Um ano depois, em São Paulo,
Marcos Valério disse ter ido ao Banco Schahin com o ex-tesoureiro do PT Delúbio
Soares. "Não conhecia o dono do Banco Schahin, não sabia quem era, nunca
tive conta no Banco Schahin, nunca tinha entrado no Banco Schahin. Entrei única
vez, nessa oportunidade".
Marcos Valério disse ter sido
apresentado por Delúbio Soares ao dono do banco e que ele "ficou calado
ouvindo a conversa". Na ocasião, ele percebeu que a transferência tinha
sido feita e que Delúbio Soares estava devendo ao banco.
Marcos Valério ainda disse ao juiz
que, depois do mensalão vir à tona, ele conheceu Paulo Okamoto, presidente do
Instituto Lula, com quem encontrou "n vezes". Em um desses encontros,
Marcos Valério contou que ficou sabendo que o pecuarista José Carlos Bumlai
tinha feito o empréstimo e que o PT pagou o empréstimo com o financiamento da
sonda da Petrobras.
O empréstimo com o banco foi pago
com a contratação fraudulenta do Grupo Schahin como operador do navio-sonda
Vitória 10.000, pela Petrobras, em 2009, ao custo de US$ 1,6 bilhão. Como foi
favorecido para obter o contrato, parte do lucro dele na operação quitou o
débito. (veja o caminho do dinheiro no gráfico abaixo).
Outro lado
Por meio de nota, Gilberto
Carvalho negou que tenha conhecimento de qualquer chantagem por parte de Ronam
Maria Pinto. A questão é "fantasia de alguma delação premiada que tenta se
livrar das penas envolvendo outras pessoas", conforme trecho da nota.
A defesa de José Dirceu disse que
as afirmações não têm sentido algum e que não há razão para qualquer ameaçada
de Ronan Maria Pinto. Os advogados também afirmaram que o ex-ministro não tem
ligação com esse caso.
Fernando Augusto Fernandes,
advogado de Paulo Okamotto, disse que o cliente é citado "os depoimentos
da Lava Jato, iniciados com fatos, descambaram para mentiras e invenções de
condenados que querem se beneficiar com as delações premiadas".
Por meio de nota, o Instituto Lula
informou que não vai comentar depoimentos de pessoas condenadas, "que
buscam benefícios para redução de pena e sair da cadeia, negociando depoimentos
com a justiça". A nota ainda diz que, em 2012, Marcos Valério tentou
delação premiada com um depoimento à Procuradoria-Geral da República,
originando vários inquéritos. O Insituto Lula ressalta que todos estes
inquéritos foram sarquivados ou têm pedidos de arquivamento feitos pelo
Ministério Público "pela mais absoluta falta de provas para suas
afirmações".
O advogado de Ronan Maria Pinto,
disse, também por meio de nota, que "trata-se de uma versão isolada, dita
por Marcos Valério apenas em 2012 – portanto, oito anos após os supostos
fatos". "Tal versão, inclusive, já foi peremptoriamente negada pelo
próprio Silvio Pereira, que afirmou não ter dito a Marcos Valério que Ronan
teria tentado extorquir o Partido dos Trabalhadores ou quem quer que
seja". A defesa de Ronan ainda reforçou que Marcos Valério foi condenado
pelo mensalão.
Daniella Meggiolaro, advogada do
pecuarista, afirmou que "as provas que serão colhidas nesta ação penal
apenas corroborarão com a versão que o senhor José Carlos Bumlai apresentou
desde início".
O G1 tenta contato com os demais citados por
Marcos Valério no depoimento.
Do G1 PR

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