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O procurador-geral da República Rodrigo Janot.
© Fornecido por Estadão
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O
procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou que o ex-presidente Luiz
Inácio Lula da Silva tenta tumultuar as investigações sobre sua suposta
participação no esquema criminoso da Petrobrás. A crítica consta de parecer
enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), na última sexta-feira, no qual
contesta argumentos da defesa do petista para suspender inquéritos que tramitam
na 13ª Vara de Curitiba, sob responsabilidade do juiz Sérgio Moro, e na 10ª Vara
Federal de Brasília.
No documento, o
procurador-geral endossa palavras do ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato
no Supremo, de que os advogados de Lula têm apresentado “diversas tentativas”
no sentido de “embaraçar as apurações” da operação. A afirmação de Teori foi
feita no dia 6 deste mês, ao negar pedido para parar processos na 13.ª Vara. Na
quarta-feira, no entanto, o ministro manteve a decisão, mas reconheceu ter
usado uma expressão inadequada e determinou que “embaraçar as apurações” fosse
retirado do texto original.
A defesa de Lula
alega que dois inquéritos que correm perante a Vara de Curitiba e um terceiro,
que tramita no Distrito Federal, devem ser “sobrestados”. Argumenta que os
mesmos fatos em apuração são objeto do inquérito 3989, que verifica a
participação do ex-presidente e de outros políticos numa “organização
criminosa” supostamente formada para desviar dinheiro da estatal petrolífera.
Na reclamação ao Supremo, o advogado Cristiano Zanin alega que Moro, portanto,
“usurpa” competência da Corte superior, única jurisdição que deveria tratar dos
casos.
O parecer de
Janot servirá para embasar decisão do plenário do Supremo a respeito. No
documento, ele explica que Lula foi incluído no inquérito do STF porque
surgiram elementos “bastante seguros” de que os fatos investigados não teriam
acontecido “senão com a sua firme e direta participação na organização criminosa”.
Porém, acrescenta, os crimes autônomos atribuídos a ele (corrupção, lavagem de
dinheiro e obstrução da Justiça) devem ser apurados separadamente, “no foro
natural, sem qualquer necessidade ou relação de dependência essencial com a
apuração da organização criminosa”.
“A investigação
no Inquérito 3.989 é, exclusivamente, quanto aos fatos que caracterizam o crime
de organização criminosa, e não os eventuais crimes cometidos no âmbito dessa
organização. Parece que o agravante não compreende essa questão técnica. Ou, se
compreende, fica nítido seu intuito de gerar tumulto”, escreveu Janot.
O procurador
afirma que, numa outra reclamação, a defesa de Lula já havia apresentado os
mesmos argumentos e que a tese de “usurpação de competência” fora rejeitada
pelo Supremo. "Efetivamente, tem absoluta razão o relator: essa
‘reclamação constitui mais uma das diversas tentativas da defesa de embaraçar
as apurações”, disse Janot no parecer, evocando as palavras de Teori.
Não há previsão
de que o pedido de Lula seja apreciado pelo plenário da Corte. Na quarta-feira,
a força-tarefa da Lava Jato em Curitiba ofereceu denúncia contra o
ex-presidente por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Ele é acusado de
receber vantagens indevidas da OAS que alcançam R$ 3,7 milhões.
Estadão

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