Quem precisa de atendimento no
Hospital Municipal de Rio das Ostras tem que estar disposto a entrar numa longa
fila de espera ou até mesmo a comprar material para que os procedimentos
médicos sejam realizados. Sem mão de obra especializada, equipamentos para
realização de exames quebrados e sem material básico para trabalhar, como luvas
descartáveis de procedimento e até mesmo álcool, o que resta aos profissionais
da unidade é trabalhar por amor à profissão. “Muitas vezes trabalhamos no
improviso, somos cobrados pela população, e com razão, mas não temos recursos
para executar um bom trabalho”, relatou uma servidora do hospital que não quis
se identificar com medo de retaliações.
Ela conta que muitos dos
profissionais que estão ali trabalham na maioria das vezes por amor à
profissão, já que não tem recursos para executar o trabalho com qualidade. “Até
mesmo um simples exame de sangue não conseguimos fazer porque falta reagente
para isso”, disse a funcionária.
A aposentada Alzira de Fátima
Pinto é um desses exemplos de paciente que geralmente fica meses aguardando por
exames quando precisa recorrer ao Hospital Municipal. Segundo a aposentada, ela
esperou mais de dois meses para fazer uma ressonância no joelho e conta que a
vizinha aguarda até hoje por um exame similar. “Estou há dois ano aguardando
para fazer um mapa de pressão arterial e ainda não consegui”, reclamou Alzira.
Outra moradora de Rio das Ostras
que preferiu não se identificar, disse que já procurou a unidade várias vezes
para fazer uma ultrassom transvaginal, mas sempre sem sucesso. “É um absurdo.
Pagamos impostos e quando a gente mais precisa não é atendida. Nossa saúde está
uma vergonha, se for grave é morte na certa”, lamentou ela.
Casos como o de dona Alzira e da
moça que não quis se identificar acontecem todos os dias no hospital municipal
e a população, desamparada, não tem a quem recorrer ou até mesmo cobrar.

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