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© REUTERS Nadadora
brasileira Etiene Medeiros, que está
classificada
para a Rio 2016, presta continência no pódio do
Pan de 2015 em Toronto
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Os atletas olímpicos do Brasil
integrantes das Forças Armadas, que representam um terço da maior delegação da
história do país para a Olimpíada, foram autorizados pelo Comitê Olímpico do
Brasil (COB) a prestar continência no pódio da Rio 2016, o que pode voltar a
provocar polêmica como ocorreu nos Jogos Pan-Americanos de Toronto.
Nomes como o judoca Tiago Camilo e
a pentatleta Yane Marques, que estão entre os principais candidatos do país a
subir ao pódio no Rio, fazem parte de um programa das Forças Armadas de
incentivo ao esporte de alto rendimento, que terá como ápice a participação
olímpica de 132 atletas do Exército, da Marinha e da Aeronáutica nos Jogos de
agosto.
Para o diretor-executivo do COB,
Marcus Vinícius Freire, a saudação dos atletas à bandeira do país representa
uma demonstração de patriotismo, sem nenhuma conotação política, portanto está
dentro das regras do COI e não há por que proibir os militares do país de
expressarem seu respeito ao símbolo nacional.
"O atleta
pode expressar seu respeito à bandeira do país de várias formas diferentes,
pode levar a mão ao peito, prestar continência, isso não representa uma
manifestação política", disse Freire nesta terça-feira na apresentação
para a mídia da base olímpica de treinamento do Time Brasil, que fica dentro de
um quartel do Exército na zona sul do Rio.
Os atletas militares do país
chamaram a atenção inicialmente nos Jogos Pan-Americanos de 2015 em Toronto,
quando realizaram a continência no pódio pela primeira vez em um grande palco
internacional. O gesto provocou polêmica por um suposto fundo político, uma vez
que a Carta Olímpica proíbe demonstrações políticas, mas não houve qualquer
tipo de restrição por parte dos organizadores do Pan-Americano.
No caso dos Jogos Olímpicos, o COI
disse em nota enviada por e-mail à Reuters que "sempre faz uma avaliação
caso a caso, com uma abordagem sensata, com relação a gestos como as
continências militares", mas ressaltou que por enquanto esse é apenas um
cenário hipotético.
Um dos episódios mais
significativos de manifestações de atletas no pódio ocorreu nos Jogos de 1968
na Cidade do México, quando os velocistas norte-americanos Tommie Smith e John
Carlos foram expulsos da Olimpíada após erguerem o braço no pódio dos 200
metros com o punho cerrado e luva preta, em um gesto de apoio aos Panteras
Negras, grupo de combate à discriminação racial nos EUA.
SARGENTOS NO JUDÔ, NO VÔLEI E
NO ATLETISMO
O programa das Forças Armadas do
Brasil de incentivo ao esporte de alto rendimento começou em 2009, após o país
ser escolhido para sediar os Jogos Mundiais Militares, diante da necessidade de
formar uma equipe de esportistas militares capaz de representar com sucesso o
país-sede do evento.
Diversos atletas reconhecidos ou
com potencial de sucesso internacional foram recrutados pelo Exército, Marinha
e Aeronáutica e passaram a receber salário e apoio para treinamentos e
competições. Para isso, porém, precisaram passar por um treinamento de conduta
militar com duração de quatro a seis semanas, em que foram orientados sobre a
continência à bandeira nacional.
"O comprimento do militar é a
continência", disse o general Décio Brasil, chefe do centro de capacitação
física do Exército. "Durante esse treinamento eles aprendem, como todos
nós militares, que fazemos a continência aos símbolos nacionais, como a
bandeira, mas ninguém está obrigado a fazer isso no pódio. É uma questão do
ensinamento que eles tiveram e do respeito que têm pela bandeira."
Entre os 132 atletas das Forças
Armadas que fazem parte da delegação brasileira recorde de 465 competidores se
destacam os judocas, representantes da modalidade que mais deu medalhas
olímpicas ao país, com 19. A equipe feminina é formada por integrantes da
Marinha, enquanto a masculina tem o apoio do Exército.
O boxe, o hipismo, a natação, o
atletismo, o vôlei e o tiro estão entre os outros esportes com representantes
militares nos Jogos.
Reuters

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