Nomes foram divulgados ao lado de outros
57 já revelados em 2002. Motivação é encorajar eventuais vítimas a se
manifestarem, diz porta-voz.
O arcebispo de Baltimore, William
Lori, em foto de 25 de abril. Sua arquidiocese publicou no jornal ‘The
Baltimore Sun’ os nomes de 71 membros do clero acusados de pedofilia, 14 deles
revelados pela primeira vez (Foto: Chip Somodevilla/Getty Images North
America/AFP)
A arquidiocese de Baltimore, no
estado de Maryland, publicou 14 novos nomes de sacerdotes ou membros do clero
dos Estados Unidos suspeitos de pedofilia, um gesto pouco habitual que foi bem
recebido pelas vítimas, que denunciam regularmente o silêncio da instituição
diante dos escândalos.
A lista foi discretamente
publicada em janeiro e reproduzida na terça-feira pelo jornal local "The
Baltimore Sun".
A arquidiocese enumera 57 nomes
que já haviam sido divulgados em 2002, logo depois das revelações do jornal
"The Boston Globe" sobre os abusos contra crianças por membros da
Igreja católica, e acrescentou 14 novos nomes de supostos abusadores.
"A primeira motivação (...) é
a de encorajar uma eventual vítima desses indivíduos a se manifestar",
explicou o porta-voz da arquidiocese, Sean Caine, ao jornal "The
Washington Post".
"As vítimas nos dizem que um
dos principais empecilhos é que se sentem sozinhas. Acreditam que estão
sozinhas. E que ninguém vai acreditar neles", acrescentou.
Segundo o grupo de apoio às
vítimas bishop-accountability.org, 31 dioceses dos Estados Unidos de um total
de 178 publicaram uma lista similar de supostos agressores. A da arquidiocese
de Baltimore envolve ao menos 94 paróquias.
A rede americana Snap, que reúne
pessoas abusadas sexualmente por sacerdotes, manifestou estar "feliz"
pela publicação da lista, mas pediu que "cada paróquia faça o mesmo em seu
site na internet".
A encarregada, Barbara Dorris,
teme, aliás, que a lista esteja incompleta e que seja uma forma de evitar
mudanças no prazo de prescrição do crime.
As vítimas, que muitas vezes não
podem acionar seus agressores penalmente quando os fatos são muito antigos e
caducaram, pedem que sejam revistos os prazos de prescrição.
A "Spotlight", a unidade
de jornalismo investigativo, responsável pelas revelações sobre sacerdotes
pedófilos na década de 2000, informou esta semana que mais de 67 instituições
privadas têm sido alvo de acusações de abuso sexual ou assédio desde 1991 e que
inúmeros abusos ocorreram durante décadas, segundo revelação do "The
Boston Globe".
Da France Presse

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